Aceleramos a nova BMW R 1250 GS Adventure, misto de “CG” e tanque de guerra

Nova BMW R 1250 GS traz novo motor de 136 cv de potência / Divulgação

O que é mais desafiador para uma montadora, começar um produto do zero ou aprimorar um projeto já inovador que se traduziu em um campeão de vendas? Desde 1980, a linha GS da BMW vem recebendo melhorias ao decorrer dos anos. Agora, a moto mais vendida no mundo pela marca alemã ganha uma nova geração de motor com a chegada da R 1250 GS.

O tradicional Boxer ficou mais potente, torcudo, com maior capacidade cúbica e tecnologia traduzida adoção do controle variável de válvulas (ShiftCam). O sistema otimiza o desempenho do propulsor em qualquer tipo de piso. As bigtrails BMW R 1250 GS e BMW R 1250 GS Adventure – e suas derivações – Exclusive, HP ou com kit baixo (assento e suspensão) – tem preços sugeridos entre R$ 69.950 e R$ 96.950. Detalhe, a versão de entrada, a Sport, só chega em meados de setembro.

Montada no Brasil, a bigtrail é sucesso de vendas em todo o mundo / Divulgação

A linha 1250 GS traz o novo propulsor Boxer bicilíndrico, de oito válvulas e 1.254 cm³, capaz de desenvolver 136 cavalos de potência a 7.750 rpm e 14,6 Kgf.m de torque a 6.250 rpm — ante 125 cavalos de potência a 7.750 rpm, 12,7 Kgf.m de torque a 6.500 rpm e 1.170 cm³ do modelo anterior. Com a nova tecnologia ShiftCam, o motor ganhou maior capacidade de aceleração, elasticidade e mais torque em baixas rotações. Com a adoção de novo virabrequim, maior diâmetro do cilindro, curso mais longo, engrenagens dentadas no comando de válvulas e pesos balanceadores, é considerável a diminuição da vibração do propulsor, que é acompanhado do câmbio de seis marchas com embreagem hidráulica anti-deslizante, lubrificada a óleo.

Como diferencial, a GS Adventure conta com tanque de 30 litros de combustível / Divulgação

Adventure Premium
A R 1250 GS Adventure é oferecida no pacote Premium (R$ 91.950,00), que traz, além dos itens de série, uma playlist de sistemas e equipamentos: controle de tração dinâmico (DTC); ajuste eletrônico da suspensão (ESA); farol em LED; sistema de partida sem chave (keyless); luz de posição diurna; assistente de troca de marchas pro; modos de pilotagem pro; preparação para GPS; protetor de escapamento cromado; manoplas aquecidas; controle de pressão dos pneus (RDC); controle eletrônico de velocidade; farol adicional em LED; luzes de direção em LED; ABS pro e suporte para malas laterais em alumínio. Além disso, a marca conta com extensa lista de acessórios para as motos e equipamentos de segurança para motociclistas.

A nova GS oferece quatro modos de pilotagem: Rain, Road, Dynamic e Enduro / Divulgação

GS Adventure, na prática
De cara, a R 1250 GS Premium HP, azul, impressiona pela cor, porte, proteções de carenagem e, é claro, pelo tanque de 30 litros, ideal para motoaventureiros que não querem perder tempo no posto de gasolina. Com esse volume e média de 18 km/l é possível chegar a Curitiba (PR) sem abastecer.

No deslocamento na terra, o conjunto é bastante eficiente / Divulgação

Entre asfalto e terra, o teste com a GS percorreu cerca de 250 quilômetros pelo interior de São Paulo. A capacidade de fazer curvas, a linearidade do motor, aliado a ciclística acertada e aos controles eletrônicos em atuação, fica quase impossível o motociclista cometer um erro. A moto está pronta para corrigir qualquer ‘vacilo’ do piloto. A R 1250 GS é uma bigtrail com características pra lá de esportivas e, ao mesmo tempo, tão fácil de conduzir no asfalto que parece uma Honda CG. Só que muitos quilos e cavalos a mais! Se na rodovia a moto sobra, na terra então, o modelo se transforma em um tanque de guerra.

Homem e máquina em perfeita sintonia na terra / Divulgação

Cada um dos quatro modos de pilotagem – Rain, Road, Dynamic e Enduro – tem seu setup de ajuste de suspensão com regulagem eletrônica e podem ser selecionados por meio do punho esquerdo. Tudo pode ser acompanhado na tela TFT (item de série em todas as versões). Do modo Road na estrada passei para a opção Enduro, já que agora era hora de rodar na terra. Em função das largas pedaleiras, optei em pilotar a maior parte do tempo de pé – percurso de 80 quilômetros. E aí o corpo, principalmente membros superiores e inferiores se ‘fundem’ com o sistema de suspensão da moto. Praticamente rodando no fora do asfalto com a terceira marcha engatada, os obstáculos se apresentavam como “mais uma motinho de terra”. A moto oferece muito controle, conforto e segurança.

Painel TFT da nova R 1250 GS: grande, bonito e muito funcional / Divulgação

Destaques da GS ADV
Outros destaques ficam conta do belo painel TFT, pela facilidade de troca de modos de pilotagem bastante intuitivo, cujo sistema atua na entrega de potência, controle de tração e ABS em curvas. Além disso, a moto conta com quick-shift bidirecional, que permite subir ou descer as marchas sem usar a embreagem (semelhante ao da nova Kawasaki Versys 1000). Já o assistente de partida em subida, que evita que a moto volte para trás, funciona perfeitamente. Para acionar é só “esmagar” o manete de freio que, automaticamente, a roda dianteira é travada. Ponto negativo para o parabrisa de ajuste manual. Um moto de quase R$ 100 mil tem que ter regulagem elétrica.

Nova geração do motor Boxer da BMW, agora com tecnologia ShiftCam / Divulgação

Preços
R 1250 GS Sport R$ 69.950
R 1250 GS Premium R$ 82.950
R 1250 GS Premium kit baixo R$ 83.950
R 1250 GSA Premium Exclusive ou HP R$ 95.950
R 1250 GSA Premium kit baixo R$ 96.950

A primeira bigtrail da marca alemão: R 80 G/S, de 1980 / Divulgação

Evolução natural
A linha GS, do alemão Gelände und Strasse – “terra e asfalto” em tradução livre – foi lançada em 1980 como a R 80 G/S, uma moto versátil para enfrentar qualquer tipo de desafio. Na sequência veio a versão R 80 GS Dakar, que estava pronta para enfrentar as areias do Rally Paris-Dakar. Em 1987 chegou a R 100 GS e 12 anos depois a R 1150 GS. Em 2004, a GS 1200 surge com propulsor de 1.170 cc e 110 cv de potência máxima. Com um histórico de glórias no Rally Dakar, hoje é a moto mais vendida da BMW em todo o mundo.

Só por curiosidade, compare abaixo as fichas técnicas da pioneira R 80 G/S e da R 1250 GS. Muita coisa mudou, mas a mística do motor Boxer está lá!

BMW R 80 GS Dakar desenvolvida para o rali mais difícil do mundo / Divulgação

DADOS TÉCNICOS
BMW R80 G / S

Motor
Tipo Boxer, bicilíndrico a tempos e dois cilindros opostos horizontalmente, duas válvulas por cilindro, arrefecido a ar
Diâmetro/curso 84,8 x 70,6 mm
Cilindrada 797,5 cc
Potência máx. 50 cv (37 KW) a 6.500 rpm
Binário máx. 56,7 Nm / 41 ft lb a 5.000 rpm
Taxa de compressão 8,2: 1
Gestão do motor Carburação – 2 carburadores de depressão constante
Câmbio Cinco velocidades
Transmissão secundária Eixo-cardã
Ciclística/Freios
Quadro Tubular de dupla trave
Suspensão dianteira Garfo telescópico com amortecedor hidráulico
Suspensão traseira Braço oscilante BMW Monolever
Curso dianteiro/traseiro 200 mm / 170 mm
Roda dianteira 3,00 x 21″
Roda traseira 4,00 x 18″
Pneu dianteiro 3,00 x 21 48R
Pneu traseiro 4,00 x 18 64R
Freio dianteiro Disco simples, diâmetro de 260mm, pinças de dois pistões
Freio traseiro Tambor
Dimensões/pesos
Capacidade do tanque de combustível 19,5 l (32l, na versão Paris-Dakar)
Comprimento 2.230 mm
Altura 1.150 mm
Largura 820 mm
Peso (combustível, óleo e fluidos) 186 kg
Velocidade máxima 168 km/h

Sistema integrado entre punho, painel e suspensões que atua na nova GS / Divulgação

DADOS TÉCNICOS
R 1250 GS

Motor: Motor boxer bicilíndrico a quatro tempos de refrigeração ar/líquido, 8 válvulas e sistema variável de distribuição BMW ShiftCam.
Cilindrada: 1.254 cc
Potência máx: 136 cv (100 kW) à 7.750 rpm
Torque máx: 143 Nm à 6.250 rpm
Taxa de compressão: 12,5: 1
Carburação/gestão do motor: Injeção eletrônica
Controlo da emissão de gases: Conversor catalítico de 3 vias, compatívelcom a norma de emissões EU-4
Transmissão: Seis velocidades com veio de sincronização
Transmissão secundária: Eixo-cardã
Quadro: Bipartido com seção principal e com a traseira aparafusada, motor autoportante
Suspensão dianteira: Telelever BMW Motorrad, diâmetro das bainhas 37 mm, amortecedor central
Suspensão traseira: Monobraço oscilante em alumínio fundido com Paralever BMW Motorrad; amortecedor WAD (amortecimento dependente do curso), afinação hidráulica contínua da pré-carga da mola por manípulo, afinação da expansão por manípulo.
Curso dianteiro/traseiro: 210 mm / 220 mm
Distância entre eixos: 1.504 mm
Avanço: 99,6 mm
Ângulo da coluna de direção: 65,1°
Rodas: Alumínio fundido
Roda dianteira: 3,00 x 19″
Roda traseira: 4,50 x 17″
Pneu dianteiro: 120/70 R 19
Pneu traseiro: 170/60 R 17
Freio dianteiro: Dois discos flutuantes, diâmetro de 305 mm, pinças radiais de quatro pistões
Freio traseiro: Disco simples, diâmetro de 276 mm, pinça flutuante de pistão duplo.
ABS: ABS Integral BMW Motorrad (parcial-integral, pode ser desligado)
Capacidade do tanque de combustível: 30 l
Comprimento: 2.270 mm
Altura (sem espelhos): 1.460 mm
Largura (com espelhos): 980 mm
Peso (combustível, óleo e fluidos): 268 kg
Velocidade máxima: 200 Km/h

Neste teste, o jornalista Aldo Tizzani usou os seguintes equipamentos:
Capacete Evo LS2
Conjunto Gallant LS2
Luva Select Race Tech
Bota Jett Lite Hi-Vis ProTork

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