“Do Fusquinha ao Fórmula 1”: as pautas de um jornalista automotivo que virou livro

Linha de montagem do Fusca na fábrica da VW no México / Arquivo Pessoal

Ao longo de três décadas, o jornalista Jason Vogel colecionou quilômetros de histórias ao comandar o suplemento de automóveis, o CarroEtc, no qual atuou entre outubro de 1992 e fevereiro de 2021. No caderno, o leitor poderia conhecer as sensações de guiar veículos diferentes quanto um caminhão Saurer 1911 e um Fórmula 1 moderno. Sentir a vertigem dos 15km/h no comando de um Benz 1886, e a paz dos 320km/h ao volante de um Audi R8 GT. Agora, o repórter e editor lança uma caprichada seleção de 50 reportagens que escreveu para o suplemento. É o livro “Do Fusquinha ao Fórmula 1” (Editora Gulliver). Com 280 páginas e muito bem ilustrado, o custa R$ 59,90, mais o envio (R$ 15, para qualquer parte do Brasil).

Benetton F1 B201, com bico de Renault R25 e pintura da Lotus 2013 / Foto : Divulgação

“Meu principal objetivo sempre foi transformar porcas e parafusos em um assunto atraente até para quem jamais tirou habilitação. É um difícil equilíbrio de dar leveza aos textos, sem descuidar do apuro técnico. Graxeiros, afinal, não gostam de que o automóvel seja tratado com superficialidade”, diz o autor, de 51 anos. O livro começa com carros que fizeram história: uma visita não autorizada à última linha de produção do Fusca, no México, uma carona no eterno e apartidário Rolls-Royce da Presidência da República e impressões ao volante de marcos da engenharia automobilística, como o Ford T, o Citroën Traction Avant, o Mercedes-Benz 300 SL “asa de gaivota” e o Trabant, ícone do realismo socialista da Alemanha Oriental.

Ao comando do Benz Patent Motorwagen 1886 – Foto Marlos Ney Vidal

A segunda parte é dedicada a testes. Para quem realmente ama máquinas e motores, chafurdar num charco com um jipão militar Humvee pode ser tão divertido quanto pilotar, em Interlagos, um McLaren Senna, hiperesportivo de 800cv e US$ 2,2 milhões. São emoções diferentes, mas sempre emoções… As viagens pelo mundo — na terceira parte do livro — revelam aos leitores peculiaridades mecânicas de diferentes regiões do planeta. Há desde uma visita à garagem-estrebaria do Palácio de Buckingham, em Londres, até uma incursão às profundezas de Rondônia, para conhecer o berço dos jericos motorizados. Entre testes de carros nos lagos gelados da Arjeplog, no Círculo Polar Ártico, e as mobiletes que ainda são febre em Arfoud, no portão do Saara, temos assuntos suficientes para um tratado de antropologia automotiva.

Viagem à Bahia com caminhões FNM (Alfa Romeo)

Em seguida vêm personagens que tiveram suas vidas, de alguma forma, ligadas a carros, motos e até bicicletas motorizadas. Carlos Miranda é um deles: ator do seriado Vigilante Rodoviário, na década de 60, passou a encarnar seu personagem na vida real a bordo de um Simca Chambord. Há também as histórias de Leon Herzog, judeu que escapou de um gueto na Polônia e veio para o Brasil criar a Leonette, pioneira das motos nacionais. E, ainda, a Família Zapp, que foi crescendo dentro de um Graham-Paige 1928, enquanto dava um giro de 20 anos ao redor do planeta.

Para encerrar, há reportagens sobre os pesados — tema tão vasto que inclui uma viagem de Fenemê pela Rio-Bahia, as derradeiras linhas do Routemaster, o clássico ônibus de dois andares britânico, os velhos bondes cariocas que atualmente rodam nos Estados Unidos e os caminhões da Guerra Fria que hoje disputam passageiros no Uruguai. Os pedidos devem ser feitos via e-mail, com direito a autógrafo do autor: livro.jason@gmail.com