Goodyear lança pneu para avião. Mas qual a diferença para o automotivo?

O novo Flight Radial oferece alto desempenho nas aterrisagens

A Goodyear oferece uma completa linha de produtos ao consumidor / Divulgação

Com 100 anos de atuação no Brasil, a Goodyear fabrica pneus para automóveis, vans, picapes, SUVs, caminhões e ônibus, pneus fora de estrada, tratores e até para aviação. Durante a Latin American Business Aviation Conference & Exhibition 2019 (LABACE), que será realizada até 15 de agosto no Aeroporto de Congonhas em São Paulo (SP), a empresa de origem norte-americana apresentou o Flight Radial, modelo de construção radial ultraleve que oferece alto desempenho nas aterrisagens. É homologado para equipar aeronaves como Boeing 777X, 737 MAX 8/9, 787-9 / 10 e Airbus A320, além de jatos executivos como, por exemplo, Citation X +, Embraer Praetor 500/600, Gulfstream G500, G600, G650 e Global 7500.

Flight Radial que oferece alto desempenho nas aterrisagens / Divulgação

Durante a Labace, a Goodyear celebra o centenário da companhia no Brasil e também os 50 anos de parceria com a Embraer. Fernando Miranda (abaixo), gerente de Aviação América Latina da Goodyear, explica as principais características dos pneus usados por aeronaves e as diferenças para o modelo automotivo.

Fernando Miranda, gerente de Aviação América Latina da Goodyear / Divulgação

MinutoMotor – Que materiais são usados na fabricação de um pneu de avião?
Fernando Miranda – Pneus para aviação são basicamente produzidos com um composto de borracha natural e derivados do petróleo. Além disso há tecido de nylon na carcaça e arame de aço nos talões.

MM – Resistência é a palavra-chave para um pneu de avião?
Miranda – Pneus devem suportar carga e velocidade. Normalmente não são expostos aos dois fatores em grande intensidade e ao mesmo tempo. Se você tomar como exemplo um pneu de um caminhão fora de estrada em uma mineradora, ele estará suportando altíssimas cargas, porém à baixa velocidade, enquanto no outro extremo, um carro de corrida estará à altíssimas velocidades, porém suportando pouco peso sobre cada um dos pneus. O pneu para aviação trabalha sob condições severas de operação pois deve suportar os dois fatores, em alta intensidade e ao mesmo tempo, peso e velocidade. Um Boeing 747, por exemplo, tem capacidade para carregar 380 toneladas para serem divididas em 18 pneus, durante um pouco ou decolagem, e com velocidade próxima à 400km/h.

Estande da Goodyear na Labace, feira de aviação executiva  / Divulgação

MM – Quanto custa um pneu desse tipo?
Miranda – Os preços variam muito, dependendo do tipo de aeronave, dimensões dos pneus e condições de uso. Os pneus podem custar entre US$ 120 e US$ 4.000.

MM – Para cada tipo de avião há um pneu específico?
Miranda – Sim, há aeronaves apropriadas para as mais variadas utilizações, desde um monomotor para instrução de pilotagem, que levará dois tripulantes até aeronaves para voos intercontinentais capazes de transportar mais de 800 passageiros. Entre esses dois extremos temos aeronaves agrícolas, aviação geral com suas aeronaves à pistão, monomotores, bimotores, turboélices, jatos executivos de pequeno, médio e grande portes, cargueiros, aeronaves militares de transporte, treinamento, ataque, enfim, há uma grande variedade de aeronaves com as mais distintas finalidades.

Airbus A320 é uma das aeronaves que usa pneus Goodyear  / Divulgação

MM – Quais as diferenças entre um pneu de aviação e um automotivo?
Miranda – A principal diferença está no composto utilizado. A aviação predomina-se a borracha natural. O desenho da banda de rodagem também é diferente, com sulcos longitudinais privilegiando o escoamento da água e a dirigibilidade da aeronave em solo. Outras importantes diferenças estão relacionadas as condições de uso. Enquanto um pneu automotivo de 27” de diâmetro externo, aro 15”, tem capacidade para trabalhar a uma velocidade média de 160 km/h, inflado com 30 psi de ar comprimido, o de aviação, com as mesmas dimensões, tem capacidade para suportar velocidade média de 350 km/h e precisa ser inflado com 200 psi de nitrogênio.

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