Mulheres motociclistas são quase oito milhões no Brasil

Ana Pimenta e sua Harley-Davidson por estradas brasileiras / Johanes Duarte / PhotoandRoad

Ana Pimenta, 52 anos, é motociclista e transformou seu hobby em profissão. A primeira moto que “pilotou” foi uma Honda 400 Four, isso aos 4 anos, sentada no tanque e amparada pelo pai. Aos 15 já dava seus rolês em São Paulo (SP) a bordo de Yamaha RX 125 cc. De lá para cá não parou mais. Formada em Administração, Ana e sua Let’s Ride, agência especializada em mototurismo, levam outros motociclistas (homens e mulheres) a experiências incríveis, principalmente em solo americano – Rota 66, por exemplo. “Moto é a minha vida! É minha válvula de escape, minha terapia, minha paixão e meu ganha pão. Não sei mais viver sem as sensações que a moto proporciona”, diz a moto-empresária que, ao lado da sócia Ana Sofia, percorreu em duas rodas cerca de 28 mil km entre Porto Alegre (RS) e Milwaukee (EUA), para a festa dos 115 anos da Harley-Davidson, que aconteceu em 2018. Como “incentivo”, a prevenção ao câncer de mama.

Ana Pimenta e Ana Sofia rodaram 28 mil KM entre o Brasil e os Estados Unidos / Johanes Duarte  / PhotoandRoad

De acordo com dados de 2019 do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) Ana é uma das 7.594.452 mulheres com carteira de habilitação, categoria A. O que representa uma alta de 89,2% em oito anos, já que em 2011 havia 4.013.566 mulheres habilitadas para pilotar motos. Além do número expressivo, grande parte das mulheres que optaram pela moto tem mais de 40 anos. Entre as mulheres com idade de 41 a 50 anos a alta nos últimos oito anos foi de 127%, passando de 572.039 em 2011, para 1.298.532 habilitadas em 2019.

Mulheres motociclistas já somam quase oito milhões de habilitadas / Arquivo Pessoal

Outra faixa etária que apresentou alto índice de crescimento foi a de 51 a 60 anos. A alta foi de quase 232%, saltando de 146.273 (2011) para 485.379 habilitadas (2019). Neste contexto Ana se junta a Adriana Richter e a Tatiana Sapateiro, exemplos de mulheres que querem liberdade, mobilidade e muitas outras sensações sobre duas rodas.

Aos sete anos, Adriana Richter já acelerava uma Brandy / Arquivo Pessoal

Questão de mobilidade – A paixão de Adriana Aichinger Richter pelas motos começou aos sete anos, com uma Brandy. A executiva de vendas de 34 anos é habilitada desde os 18 anos. “Meu pai e os meus tios sempre andaram de moto. Eles sempre colocaram as crianças da família para se aventurar! Cresci andando de moto praticamente todos os finais de semana no sítio da minha família em Itu (SP)! Me arriscava a fazer trilhas, andar na lama e em qualquer obstáculo que aparecesse, tudo isso com uma Honda Biz, presente do meu avô”, conta Adriana.

As mulheres preferem as CUBs e os scooters para o dia a dia / Divulgação

“Essa era o meu contato com a moto, misto de diversão e adrenalina. Em 2011, trabalhava e estudava à noite em São Paulo e comecei a andar de moto também. Era um meio muito econômico, tanto em custo quanto em tempo para se deslocar. Eu amo a adrenalina sobre duas rodas, sentir a aceleração da moto e ter o controle sobre a máquina. Infelizmente atualmente estou sem moto, mas em breve pretendo comprar uma nova para me aventurar pelas estradas, curtindo o vento no rosto e as lindas paisagens!”, conta a executiva de vendas.

Em pról da mobilidade, a publicitária Tatiana Sapateiro comprou um scooter de 150cc / Arquivo Pessoal

Outro exemplo é a publicitária Tatiana Sapateiro, de 58 anos, que comprou um scooter há pouco mais de dois anos e usa o eículo para ir ao trabalho, supermercado e passeios. “Tudo em nome da mobilidade, já que não suportava mais o trânsito da capital paulista. Levava cerca de uma hora e meia para ir de casa até o trabalho. Até que resolvi testar e nunca mais deixei a moto”, afirma Tatiana que roda de Honda SH 150.  A paixão foi tanta que no ano passado Tati criou no Facebook a página “Mulheres de Scooter”. A ideia inicial era apenas fazer passeios. “Mas a coisa cresceu tanto que hoje trocamos ideias e dicas, principalmente para as novatas”, conclui a publicitária.

Hoje, Tati usa seu scooter na cidade e também em viagens curtas / Arquivo Pessoal

Economia de tempo e dinheiro – Com uma frota de mais de 28 milhões motos e uma produção que deve superar 1,1 milhão de unidades, o mercado de duas rodas vem se recuperando. E, assim, a participação feminina vem projetando os números para cima. Na avaliação de Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo (associação que reúne os fabricantes de moto), os fatores que contribuem para essa alta são a praticidade da locomoção, os avanços tecnológicos e lançamentos de modelos mais atrativos para as mulheres. “As marcas entenderam que vale a pena investir nesse público que é fiel e exigente. Além disso, a motocicleta é muito mais econômica e tem baixo custo de manutenção. Ou seja, ela se torna um veículo prático e viável para o dia a dia”, analisa Fermanian.

Texto Aldo Tizzani e Fabiano Godoy

2 Comentários

    • Aldo Tizzani

      Lourdes,
      Somos 2. Vc também é motociclista?
      Guerreiras!
      Aldo Tizzani
      Editor-chefe

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