BMW, TOYOTA, MERCEDES, AUDI E VW SÃO OS “REIS DO RECALL” NO BRASIL

BMW, TOYOTA, MERCEDES, AUDI E VW SÃO OS “REIS DO RECALL” NO BRASIL

Hoje, os Apps fazem parte da nossa vida como as fichas telefônicas nos anos de 1970. Temos aplicativos para tudo: pedir comida, chamar taxi, pagar contas, editar e tratar imagens e até criar stickers personalizados para usar no WhatsApp. A indústria automotiva também trabalha com aplicativos e inteligência cognitiva. Nesta onda até os recalls podem ser consultados pelo consumidor por meio de simples toques na tela do smartphone. O levantamento do aplicativo Papa Recall mostra que 32% das fabricantes e 8% dos modelos que circulam no Brasil – entre carros compactos até picapes – foram afetados por campanhas nos três primeiros meses de 2019. Uma a cada três dias! Destaques negativos para BMW, Toyota, Mercedes-Benz, Audi e VW.
Os três primeiros meses registraram 34 campanhas, afetando 13 montadoras e 66 modelos diferentes de veículos. Ao todo, em 44% desses recalls afetaram os carros cadastrados no aplicativo. A montadora BMW é a líder de campanhas no trimestre, com oito recalls. A Toyota ocupa a segunda posição, com cinco chamamentos, seguida pela Mercedes-Benz com quatro. (Veja lista abaixo). Detalhe: praticamente um terço das fabricantes (32%) realizou alguma campanha de reparação nesse período, segundo o Papa Recall.

Alemãs e japonesa na mira
Contudo, entre os modelos são os motoristas de Audi que precisaram ficar mais atentos. O Audi A5 teve 12 recalls únicos nos três primeiros meses do ano; enquanto o Audi A4 realizou dez. Já o VW Saveiro ficou na terceira posição com sete. No total, 8% dos modelos que circulam no Brasil foram afetados.
Apesar de não ocupar as primeiras posições de recall no trimestre, a Volkswagen está realizando a recompra de alguns veículos. No total, 194 carros de diversos modelos e anos serão recomprados pela montadora por 100% do valor na Tabela FIPE.

Detetive Virtual
O aplicativo surgiu em fevereiro de 2019 e, desde então, já cadastrou mais de 600 campanhas dos últimos 14 anos, totalizando 2836 recalls únicos, 40 montadoras e 796 modelos diferentes. No total, 16% dos carros com recall no App são Corolla com necessidade de troca do airbag do motorista. Mais de 24 mil veículos já estão sendo monitorados pela solução.
O Papa Recall também trabalha com o conceito “Recall Único”, onde as campanhas são agrupadas por modelos e anos de fabricação afetados. Por exemplo: uma campanha que afeta os modelos A e B dos anos de fabricação 2017 e 2018. Para a montadora é somente um recall, mas o aplicativo considera quatro “recalls únicos”: A-2017, A-2018, B-2017 e B-2018. Assim, as 34 campanhas do primeiro trimestre tornam-se 177 recalls únicos.

“O número mostra não só a importância dos recalls, mas também a necessidade de divulgá-los de forma correta. Tivemos uma campanha a cada três dias no primeiro trimestre de 2019, mas ainda assim são poucos os motoristas que se informam sobre isso. A segurança no trânsito também passa pela necessidade de tirar veículos da rua que podem causar acidentes”, explica Vinicius Melo, CEO do Papa Recall.

Marca – Chamamentos*
BMW – 8 Recalls

X5 xDrive48i (2006 e 2007) – Sistemas de combustível, elétrico e freios
X5 xDrive30d, X5 xDrive30i, X5 xDrive48i, X6 xDrive35i e X6 xDrive50i (2006 a 2008) – Airbag do condutor
X1 sDrive20i (2018 e 2019) – Lanternas laterais traseiras
Série 5 530i e 550i (2005 e 2006) – Suspensão
X3 (2008) – Sistema de combustível
X5 4.8is (2005) – Transmissão
Série 7 750i (2006) – Suspensão
M3, M4 GTS e M4 Coupé (2016) – Eixo-cardã

TOYOTA – 5 Recalls
Corolla Fielder (2004 a 2008) – Airbag do Passageiro
Prius (2011 a 2013) – Falha no sistema híbrido
Corolla (2015 a 2017) – Airbag do Motorista
Etios e Etios Sedan (2015 a 2017) – Airbag do motorista
Hilux (2015) – Airbag do motorista

MERCEDES-BENZ – 3 Recalls
C 180 Coupé, AMG S 63 L 4Matic+ e AMG S 65 L (2018) – Cinto de segurança
AMG S 63 L 4Matic+ e AMG S 63 4Matic+ Coupé (2018) – Direção elétrica
C 180 Coupé (2018) – Controle de estabilidade

  • Fonte: Papa Recall

TEST-DRIVE: MAIS MODERNO, O AUDI Q5 ESTÁ COM FÔLEGO DE SOBRA

Com preços a partir de R$ 249.990, a segunda geração do Audi Q5 chega mais leve, mais econômica e com um sistema de tração 4×4 mais eficiente. Em todas as versões, o SUV Premium da marca alemã é equipado com um motor 2.0 TFSI a gasolina de 252 cv de potência, 37,7 kgf.m de torque, câmbio de dupla embreagem de sete velocidades e famosa tração integral QUATTRO. E com os seus 1.720 quilos, uma redução de aproximadamente 50kg em relação a primeira geração, o utilitário é capaz de fazer 0 a 100 km/h em 6,3 segundos, com velocidade máxima de 237 km/h, isso de acordo com a fabricante. MinutoMotor pode avaliar o modelo topo de linha, a Ambition, que custa R$ 297.990.

A primeira impressão é que ele parece o seu irmão maior, o Audi Q7, com linhas mais modernas e visual mais invocado, graças aos detalhes em preto. Com 4,66 metros de comprimento e 2,82 metros de distância entre-eixos, a segunda geração do SUV de luxo cresceu em todos os aspectos, além de passar por um leve “regime”, graças a uma mistura de aços de alta resistência e alumínio na carroceria.

Numa viagem de ida e volta para o sul de Minas Gerais, com quatro ocupantes, o que mais impressionou foram as respostas do silencioso motor 2.0 TFSI, ainda melhores quando o propulsor ultrapassa os 1.500 rpm. Já a suspensão, que surpreende ao absorver com muito conforto as irregularidades do asfalto, também faz parte das novidades da nova geração graças ao sistema ULTRA, capaz de desacoplar o eixo traseiro quando não é necessário, resultando em economia de combustível.

Com cinco modos de condução, comfort, efficiency, dynamics, off-road (que minimiza a força do motor no início) e individual, optamos por utilizar a maior parte da viagem na effiency, garantindo mais economia no consumo de combustível. Agora, quem optar por dirigir na dynamics, tenha certeza que a surpresa fica por conta das respostas mais rápidas do acelerador e o giro do motor subindo mais rápido. Para fazer as trocas de marchas, é possível realiza-las tanto pela manopla ou das aletas atrás do volante.

Dentro do Audi Q5, a tela multimídia de 8,3 polegadas é bonita e chama a atenção, mas deixa a desejar por não ser sensível ao toque, sendo necessário usar o seletor ou os comandos no painel central. Outra forma de utilizar a central é por meio de uma área localizada no console, que pode ser facilmente confundida com um mousepad, mas que também é pouco prática no dia a dia. Já o ar-condicionado também possui a sua. Com nove botões, consegue controlar até o clima do banco de trás. Agora, o painel de instrumentos 100% digital, com dois tipos de layouts, sendo um clássico (velocímetro e conta-giros grandes) e outra com mapa de navegação maior, chama a atenção.

De série, a versão Ambition do Audi Q5 é equipado com trio elétrico, direção elétrica, ar-condicionado automático de três zonas, bancos de couro sintéticos, bancos dianteiros elétricos com ajusto de lombar e memória do banco do motorista, painel de instrumentos 100% digital, controle de velocidade de cruzeiro, sensor de luz e chuva, retrovisor fotocromático, sistema start-stop, volante multifuncional de três raios, teto solar panorâmico, porta-malas com abertura e fechamento elétrico, airbag lateral dianteiro e de cabeça, alarme, faróis 100% LED, lanternas traseiras em LED com indicação dinâmica, assistente de farol alto, faróis com ajuste automático de altura, Auto Hold, sistema limpador de faróis, Parking Assist, câmera de ré, chave presencial e o Audi Sound System com tela de 8,3 polegadas.

Texto e Fotos: Fernando Eduardo, especial para o MinutoMotor

AUDI Q5

Ficha técnica
Motor: Turbo, quatro cilindros em linha, longitudinal, gasolina, 1.984 cm³ de cilindrada, comando duplo, injeção direta FSI
Potência: 252 cv a 6.000 rpm
Torque: 37,7 kgfm a 4.500 rpm
Câmbio: Dupla embreagem de 7 marchas e tração integral
Direção: Elétrica
Suspensão: Integral multilink
Freios: Discos ventilados na dianteira e traseira
Pneus: 255/45 R 20
Comprimento: 4,66 m
Largura: 1,89 m
Altura: 1,66 m
Entre-eixos: 2,82 m
Capacidade do tanque: 70 litros
Peso: 1.720 kg
Porta-malas: 550 litros
Central multimídia: 8,3 polegadas, não sensível ao toque

  

SALÃO DO AUTOMÓVEL: MARCAS EUROPEIAS

SALÃO DO AUTOMÓVEL: MARCAS EUROPEIAS

Após alguns anos de trevas, parece que o mercado automotivo brasileiro reencontrou a luz. Depois que o ainda otimista Salão do Automóvel de São Paulo de 2014 foi sucedido por três anos seguidos de profunda retração nas vendas, com direito a milhares de concessionárias fechadas e uma edição do evento paulistano quase depressiva em 2016, finalmente em 2018 as vendas voltaram a crescer de forma consistente. E as empresas do setor não disfarçam a euforia. Por isso, a trigésima edição do Salão Internacional do Automóvel de São Paulo – que acontece de 8 a 18 de novembro no São Paulo Expo, na capital paulista – tem ares de celebração, apesar de algumas ausências de marcas que tradicionalmente participam do evento, como Peugeot, Citroën, Land Rover, Jaguar e Volvo, terem resolvido não participar. O público esperado é de mais de 700 mil pessoas que visitarão os mais de 120 estandes, entre fabricantes de veículos e de autopeças e empresas de serviços do setor. Confira as novidades dos carros de origem europeia.

TEXTO E FOTOS Luiz Humberto Monteiro Pereira / Agência AutoMotrix

Fiat Fastback

No estande da Fiat, estão expostas versões customizadas dos produtos da marca italiana, como o Argo Sting, o Cronos Sport e a picape Toro Rescue, incrementada com acessórios da Mopar. Mas a grande atração é o conceito Fastback. Trata-se de um utilitário esportivo com teto descendente na traseira, típico de cupês, construído sobre a base da picape Toro. O conceito tem a linha de cintura muito elevada e adianta como será o estilo dos modelos da Fiat nos próximos anos.

Volkswagen Tarok

O nome é uma mistura de Tarek, o futuro utilitário esportivo médio argentino da Volkswagen, com Amarok, a picape portenha da marca. Com estilo mais urbano, pouco voltado para o trabalho, a picape derivada da plataforma MQB é esperada para 2020 e o “alvo preferencial” é a Fiat Toro. Um de seus destaques é o uso de um painel traseiro rebatível, que aumenta a dimensão da caçamba ao “deitar” os bancos traseiros, criando um piso plano.

Audi RS4 Avant

O imponente sedã A8, repleto de moderníssimos sistemas automatizados de assistência ao motorista, e o novo utilitário esportivo Q8 tinham tudo para disputar o posto de principal atração da Audi no Salão de São Paulo. Mas a nova perua esportiva RS4 Avant está lá, com todo o seu carisma e um vistoso tom vermelho. Equipada com um motor 2,9 litros de 450 cavalos, câmbio Tipotronic de 8 velocidades e a indefectível tração integral Quattro da marca das argolas, é um dos lançamentos mais aguardados da linha de esportivos da Audi.

AMG One

A Mercedes-Benz ousou ao colocar sob os holofotes do Salão de São Paulo o chamado hiperesportivo AMG One, na prática, um carro de Fórmula-1 com licença para andar nas ruas. Nunca é demais lembrar que a AMG, a divisão esportiva da Mercedes, é a responsável pela equipe de Fórmula-1, novamente campeã do Mundial neste ano com o inglês Lewis Hamilton. O One combina motor a combustão 1.6 V6 turbo com elétricos, somando absurdos mil cavalos de potência. Apesar de ser um conceito, o modelo já teve uma futura produção em série pré-vendida de 275 unidades, com entregas previstas para o final do próximo ano na Europa.

Renault Zoe

A Renault escolheu o Salão do Automóvel de São Paulo para apresentar aos brasileiros sua maior novidade no mundo dos 100% elétricos. O compacto Zoe, tido como o elétrico mais vendido na Europa, começou a ser comercializado no país, na versão Intense, paralelamente à mostra paulistana, com preço de R$ 149.990. De acordo com a fabricante francesa, o Zoe tem autonomia de mais de 300 quilômetros e precisa de uma hora e 40 minutos para carregar 80% da capacidade total das baterias. Com torque de 22,9 kgfm, o modelo acelera de zero a 100 km/h em 8 segundos.

BMW X5

O novo BMW X5 é um dos SUVs de luxo mais aguardados do Salão do Automóvel de São Paulo. O utilitário esportivo de grandes proporções tem na versão xDrive 40i motor 3.0 turbo de seis cilindros em linha com 340 cavalos de potência e aceleração de zero a 100 km/h em 5,5 segundos. Na configuração xDrive 50i, o motor é um 4.4 V8 com 462 cavalos de potência, com a mesma aceleração feita em 5 segundos. Para ambas as versões, o SUV da BMW tem transmissão automática de 8 velocidades com conversão de torque e tração integral.

Porsche GT3 RS

Com 70 anos de estrada, a Porsche desembarca no Salão de São Paulo destacando a nova geração do 911 GT3 RS, um dos esportivos com melhor desempenho do mercado mundial na atualidade. Com motor 4.0 aspirado de seis cilindros, a potência da lenda alemã é de 520 cavalos e torque de 47 kgfm. O carro utiliza na sua construção materiais leves como ligas de aço e alumínio. Para o mercado brasileiro, a Porsche liberou apenas 19 unidades, com preço de R$ 1.242.000.

AUDI TT RS: EMOÇÃO DE 0 A 100 KM/H EM 3,7 SEGUNDOS

Ser rico pode gerar uma série de complicações na vida de uma pessoa. Mas também traz lá as suas vantagens. Uma delas é poder cometer extravagâncias normalmente inacessíveis às criaturas comuns. Como comprar um Audi TT RS, por exemplo. A versão mais esportiva do charmoso cupê da marca das quatro argolas é empurrada por um poderoso motor 2.5 de cinco cilindros turbinado que gera 400 cavalos, gerenciados por um câmbio automatizado de dupla embreagem com sete marchas e com tração integral Quattro. O conjunto mecânico permite ao carro fazer de zero a 100 km/h em apenas 3,7 segundos. A velocidade máxima do cupê alemão é de 250 km/h, limitada eletronicamente. O preço sugerido é de R$ 424.990, em versão única. Se o comprador achar que ter um Audi TT RS não é exclusividade suficiente, há a possibilidade de optar pela a cor Lime Green, um tom cítrico oferecido pelo programa Audi Exclusive e que acrescenta R$ 30 mil ao preço do cupê, totalizando R$ 454.990. O cliente pode personalizar também outras características, como costuras, detalhes de acabamento interno e revestimentos.

Por ser um carro exclusivo, demora cerca de 5 meses para chegar ao país. Se a ideia é ser um milionário extravagante, tal exclusividade pode valer o preço adicional e a espera. Mas, para ricos que preferem um estilo mais discreto, a tonalidade Lime Green definitivamente não seria a escolha mais adequada.
Em fevereiro, quase três anos após o lançamento da geração atual do TT, a Audi finalmente trouxe a versão RS para o mercado brasileiro. A sigla vem de Rennsport (automobilismo, em alemão). Ou seja, a RS é a versão do TT com mais identificação com as pistas de corrida. O motor 2.5 com cinco cilindros em linha tem 20 válvulas de abertura variável com duplo comando e injeção direta e indireta de combustível. Entrega não apenas brutais 400 cavalos de potência, mas igualmente impressionantes 49 kgfm de torque, em uma ampla faixa de 1.700 a 5.850 rpm. A potência específica é de excelentes 161,3 cavalos/litro e, como o carro pesa 1.440 quilos, a relação peso/potência é de 3,6 kg/cavalo. Para cativar também a audição, o botão RS ajusta o som emitido pelo escapamento de acordo com a rotação do motor.

A tarefa de gerenciar o motor fica com o conhecido câmbio S Tronic robotizado de dupla embreagem com 7 marchas, que proporciona trocas comandadas por meio de borboletas junto ao volante. A tração é a tradicional Quattro, com distribuição eletrônica inteligente por meio de vetorização de torque. Segundo a Audi, a potência é transmitida para cada roda de acordo com a necessidade, o que melhora a dirigibilidade e a segurança.
Mas nem só de um “powertrain” poderoso se faz um grande cupê esportivo. O visual é um ingrediente fundamental nesse gênero de carro. E o TT RS exibe um desenho sedutor de esportivo, mas com uma “pegada” extremamente elegante. A grade frontal tem acabamento em preto brilhante e moldura em aço escovado. O para-choque conta com duas grandes tomadas de ar laterais e um defletor também em aço escovado ajuda a ressaltar a esportividade – como se isso fosse necessário. Os faróis de leds e os quatro anéis da Audi na tampa do motor completam o aspecto moderno, mas sem exageros espalhafatosos.
Contudo, a principal característica visual do mais poderoso dos TT é mesmo o vistoso aerofólio traseiro.

Na parte inferior, o difusor contribui para aumentar a estabilidade do cupê em altas velocidades. As lanternas exclusivas da versão usam diodos de emissão de luz orgânicos (OLEDs, sigla do termo inglês Organic Light-Emitting Diodes). Os OLEDs podem fornecer luminosidade mais nítida e brilhante e usam menos energia do que os diodos emissores de luz (os leds) convencionais. Junto aos escapamentos com ponteiras ovais e acabamento em preto brilhante, formam um dos mais harmônicos conjuntos traseiros da atual safra automotiva. No perfil, além do belo visual inerente aos cupês e da clássica tampa de combustível – similar às dos carro de competição e que acompanha o TT desde seu lançamento, há duas décadas –, se destacam as parrudas rodas de 19 polegadas exclusivas da versão, que deixam ver os enormes freios a disco ventilados e perfurados.

Por dentro, a principal diferença do RS em relação ao restante da linha TT está no volante. Semelhante ao adotado no R8, traz o botão de partida e o acionamento dos modos de condução embutidos no aro. De resto, as formas do painel e de todo o habitáculo são bem parecidas com as dos outros TT, acrescidas de costuras vermelhas, peças em plástico reforçado com fibra de carbono e couro Alcantara que completam o pacote de acabamento RS.
Em resumo, o TT RS é um “brinquedo de rico” que beira o meio milhão de reais. Para quem tem realmente muito dinheiro, é fã do design arrebatador do cupê da Audi e busca esportividade com exclusividade, é um prazer que o dinheiro pode comprar. Para alguns afortunados, isso já é mais do que suficiente para justificar uma compra. Sorte deles!

Experiência a bordo – Na medida certa

Quando as portas do TT RS são abertas, o nome “Audi Sport” aparece projetado no chão. Uma vez lá dentro, nota-se que o cupê acomoda bem duas pessoas e permite ao motorista dirigir como se estivesse em um cockpit. Os bancos de couro são extremamente aconchegantes. O quadro de instrumentos, chamado pela marca de Audi Virtual Cockpit, é de série e fornece todas as informações relevantes em uma tela LCD de 12,3 polegadas, diretamente no campo de visão do motorista, sobre o volante. É possível selecionar os modos de visualização. No modo Sport, por exemplo, o conta-giros fica centralizado e outros mostradores ligados à performance surgem dos dois lados. Se o motorista preferir, a telona de 12,3 polegadas pode exibir o mapa do navegador GPS. O volante com base achatada é revestido de couro Alcantara, e o carro ainda conta com equipamento de som Bang & Olufsen e sistema multimídia com memória interna para 10 GB, compatível com Android Auto e Apple CarPlay.
A bordo, apesar do espaço restrito inerente aos cupês esportivos, não falta conforto e sofisticação, com acabamentos primorosos que incluem couro e revestimentos em fibra de carbono. Levar qualquer pessoa com mais de 12 anos nos dois pequenos bancos traseiros deve ser evitado. Funcionam mais como um porta-malas adicional. Já para quem ocupa os dois envolventes bancos frontais, ambos com múltiplos ajustes, a ergonomia é ótima. O TT RS ainda oferece confortos como memórias para os ajustes dos bancos, ar-condicionado automático individual e o lúdico Audi Drive Select – que possibilita ajustar direção, suspensão e as respostas do motor para diferentes estilos de condução. Em termos de porta-malas, os dos cupês esportivos costumam ser muito pequenos. O do TT RS nem é dos menores, contudo leva só 305 litros.

Impressões ao dirigir – De parar o trânsito

Pessoas que acham que atrair a inveja alheia pode atrapalhar suas vidas devem evitar desfilar por aí com um Audi TT RS – principalmente no incomum tom Green Lime. O carro funciona como um verdadeiro “ímã de olhares”. Para quem não pertence à nobreza britânica, não é galã de Hollywood ou “pop star” da música e nem ao menos um mega-astro do esporte, é até divertido ter a experiência de ver como é atrair todas as atenções onde quer que se esteja. Alguns passantes se esforçam, porém é impossível ostentar indiferença ao cruzar com o esportivo da Audi. A estupefação generalizada é tamanha que pode ser perigosa e provocar acidentes – alguns motoristas simplesmente não conseguem tirar os olhos do carro e esquecem de olhar para a frente.
Logo na primeira pisada no acelerador, fica evidente que as letras RS não estão no carro por acaso. A denominação das versões mais esportivas dos Audi marca uma série de atributos especialmente aprimorados. Um deles é a suspensão. O Audi TT RS proporciona performances arrebatadoras em estradas sinuosas, onde a rápida aceleração e a absoluta firmeza do conjunto se harmonizam com a tração Quattro, que entrega a potência necessária às rodas. O cupê tem pneus muito largos, que ajudam a manter a aderência nas curvas. As frenagens contam com discos ventilados e perfurados na dianteira e sólidos na traseira. São de uma precisão fora do comum.


O volante tem dois botões na parte de baixo – à direita, fica a ignição, e à esquerda, o Drive Select, com os modos Comfort, Auto, Dynamic e Individual. No Dynamic, a divisão automática de tração entre os eixos traz o carro para dentro da tangência da curva, e a rolagem da carroceria parece ter sido abolida. As trocas podem ser automáticas ou manuais, por meio da alavanca ou das borboletas. São sempre muito ágeis, mérito do câmbio S-Tronic de 7 marchas, com dupla embreagem. Um botão no console serve para selecionar o som do escapamento como esportivo ou normal. No modo esportivo, o ronco grave e “embaralhado” do motor, acompanhado de estampidos secos que saem das ponteiras duplas, lembra bastante o dos carros da Fórmula-1. É tão alto que chama atenção de todos os viventes no entorno – como se tal coisa fizesse sentido no veículo em questão.
Na estrada, basta pisar um pouco mais forte com o pé direito para a marca de 200 km/h aparecer no velocímetro. E é nas altas velocidades que o Audi TT RS mais se sente “em casa”, com um comportamento dinâmico irrepreensível. No trânsito urbano, o start-stop desliga o motor quando o carro está parado com o motorista com o pé no freio, para ajudar a conter o consumo do motorzão. No final, a impressão que se tem é que o TT RS é um esportivo que se passa sem dificuldades por um superesportivo com mais de 500 cavalos – que são modelos com preços bem mais “salgados” que o do TT RS.

TEXTO: Luiz Humberto Monteiro Pereira / Agência AutoMotrix    FOTOS: Luiza Kreitlon / Agência AutoMotrix

Ficha Técnica

Audi TT RS Coupé 2.5 TFSI Quattro

Motor: Dianteiro, transversal, gasolina, 5 cilindros em linha, 2.480 cm³, 20 válvulas, turbocompressor, injeção direta e indireta
Potência: 400 cavalos entre 5.850 rpm e 7.000 rpm
Torque: 49 kgfm entre 1.700 e 5.850 rpm
Câmbio: automático sequencial, sete marchas, dupla embreagem
Tração: integral Quattro
Direção: Elétrica
Suspensão: McPherson (dianteira) e Multilink (traseira)
Freios: Discos ventilados (dianteira e traseira)
Pneus: 245/35 R19
Dimensões
Comprimento 4,19 m
Largura: 1,83 m
Altura: 1,34 m
Entre-eixos: 2,50 m
Tanque: 55 litros
Porta-malas: 305 litros
Peso: 1.440 kg
Central multimídia: 12,3 polegadas, integrada ao quadro de instrumentos, não é sensível ao toque
Preço básico: R$ 424.990
Carro avaliado (na cor Green Lime): R$ 454.990