COM 58 RARIDADES, MUSEU DA HONDA ABRE SUAS PORTAS

Uma viagem pela história da motocicleta no Brasil. É essa a sensação que os amantes das duas rodas terão ao visitar o “Honda Fan Club”, museu que a marca reabriu suas portas no último dia 5 de janeiro na cidade de Indaiatuba (SP). Totalmente repaginado, o espaço fica no último piso do Centro Educacional de Trânsito Honda (CETH). O local apresenta uma linha do tempo com máquinas que contam história da evolução do veículos e traz várias curiosidades sobre os modelos Honda, que há mais de 40 anos fazem parte da vida dos brasileiros.

O museu conta com 58 motos, desde a CG 125 1976 – a popular CG ‘bolinha’ –, passando pela CB 400, a primeira grande moto do motociclista brasileiro; até a CBX 750F 1986 (a icônica ‘Sete Galo’). Há ainda outros destaques, como GL 1800 Goldwing Edição 40 anos e CBR 1000RR Fireblade Edição Comemorativa Marc Marquez, atual campeão mundial de Motovelocidade – MotoGP. Há espaço também para exemplares das categorias CUB, trail e street. Além de capacetes, campanhas publicitárias, macacões, fotos e até um poster assinado por c.

“O Honda Fan Club nasceu em 2013, como um museu particular da Honda e vem, ano a ano, agregando novos modelos, por meio dos quais pode-se contar a história das duas rodas no País. A empresa está presente em solo brasileiro há 47 anos e, ao longo deste período, desenvolveu diversos modelos que marcaram época e fizeram parte da vida de milhões de brasileiros. Assim, nada mais justo do que proporcionar a experiência de reviver e conhecer essa história aos motociclistas e admiradores da marca”, comenta Leonardo Almeida, Gerente dos Centros Educacionais de Trânsito Honda.

Leonardo diz que a Honda quer dar oportunidade para que mais pessoas conheçam o nosso museu. “Para o atendimento ao público, preparamos uma estrutura acessível e um ambiente especial alinhado com a história dos modelos em exposição. Ficaremos muito felizes com a visita de todos. Detalhe: as visitas são gratuitas e os visitantes serão atendidos por ordem de chegada. O local conta com acessibilidade. Para isso o prédio ganhou um elevador”.

Localizado nas dependências do CETH, que acabou de completar 20 anos de atividade – confira o vídeo abaixo -, o museu Honda Fan Club recebia visitas esporádicas de alunos dos treinamentos de pilotagem oferecidos pela unidade e convidados em eventos e ações da marca. Agora, os aficionados pela marca irão entrar em um túnel do tempo com boa estrutura e acessibilidade.

Serviço
Museu Honda Fan Club
Data: todos os sábados
Horário: das 09h às 17h
Local: Alameda Comendador Dr. Santoro Mirone, 1460 – Distrito Industrial João Narezzi, Indaiatuba – SP, 13347-300
Informações: (19) 3198-2615

 

CB 400: UMA MOTO – LITERALMENTE – DE COLEÇÃO


Entre amostras de tecido, moldes, manequins e talões de pedido, Evandro Luiz de Souza Baptista tem uma paixão especial por rodas e motores. Desde a infância, o comerciante do ramo do vestuário feminino tinha em seu imaginário pilotar carros de corrida. Na fase adulta Evandro conseguiu realizar parte de seus sonhos acelerando um kart em Interlagos (SP), circuito no qual ganhou algumas provas amadoras.

Fã de carteirinha de Ayrton Senna que, aliás, morou no mesmo bairro (Horto Florestal, extremo da Zona Norte de São Paulo), Evandro acompanhou todos os passos do vizinho campeão. “Ele era um piloto diferenciado, dono de um estilo único. Senna impressionava por sua dedicação e postura positiva frente às adversidades”. Mas o que Ayrton e Evandro têm em comum? A paixão pela velocidade e pelas motos. No caso do comerciante, uma Honda CB 400 1981 impecavelmente “zerada”! 


Em função da correria do dia a dia, do excesso de trabalho e por sua paixão por carros, especificamente pelos Fiat Uno 1.5R e Tempra Style Turbo, sedã que está na família desde 1.995 -, a CB 400 ficou parada por dois períodos, que totalizaram 12 anos de hibernação. Hoje, com exatos 27.240 quilômetros rodados, a primeira grande moto do brasileiro traz o visual – e a aura – de uma unidade que acabou de sair da linha de montagem.

A pintura é reluzente e os adesivos estão intactos. Por cima do polimento do motor, a CB ganhou uma demão de verniz, que protege e dá mais vida ao propulsor de dois cilindros, de ‘impressionantes’ 40 cavalos de potência máxima. Detalhe: os parafusos foram zincados para não enferrujar. Recentemente a moto ganhou pneus novos. “A CB nunca foi restaurada, apenas cuidamos de sua estética e fizemos uma completa manutenção mecânica. Nível máximo de conservação para dar aquelas voltinhas de final de semana”, comemora o comerciante de 57 anos.


Na garagem da casa dos Baptista, a moto saiu do estado de inércia e ganhou vida já na segunda ‘pedalada’. O motor propagou um som médio, ritmado, sem bater válvulas. A moto está com o Evandro desde que saiu da concessionária. O próximo passo será reunir a papelada para garantir a placa preta, indicada para veículos fabricados há mais de 30 anos e que conserva suas características originais de fabricação.

Mas a paixão pela máquina está sempre na memória do paulistano que levava o modelo, literalmente, para passear. “Eu colocava a moto na carreta para curtir a viagem de carro e lá, no destino, aproveitava para fazer passeios curtos de CB em companhia da minha esposa Cibele”, conta quase que gargalhando, lembrando das aventuras por Monte Verde (SP) e Guarapari (ES). “A moto saia de frente e de traseira no barro e na areia”.


Tamanho natural e miniatura – Para formar dupla com a Honda CB original de fábrica, o comerciante uniu seu outro hobby: o de colecionar de miniaturas. Há pouco tempo o comerciante fez uma encomenda para Claudio Antonio da Silva, da Claus Miniatura, modelista de Minaçu, interior de Goiás (GO).

Em escala 1:12, a mini CB 400 de Evandro traz riqueza de detalhes. Tanque, rabeta, farol, escapamentos, além da cor. Tudo igual ao modelo de tamanho original. “Depois da encomenda, a motinho demorou quase três meses para chegar. Fiquei preocupado, mas valeu a espera, já que a miniatura feita em resina de forma artesanal é muito bem acabada”, explica o comerciante de São Paulo.

Ayrton, Ayrton, Ayrton Senna do Brasil!!! – Além da CB 400, a Evandro Baptista tem um santuário na parte superior de sua casa no qual guarda algumas recordações do tempo do kart – fotos e troféus – e 204 miniaturas, exemplares de marcas europeias, norte-americanas, japoneses, modelos dos anos 1930, clássicos nacionais, esportivos e, é claro, uma coleção completa de carros pilotados pelo ídolo Ayrton Senna.

São 22 réplicas, desde a Mercedes C190 até a Willians, passando pelo kart e também pelas equipes Toleman, Lotus e os carros campeões da McLaren. Oito miniaturas em tamanho 1:18 e mais 14 em escala 1:43. A coleção começou em 1992 com os populares “carrinhos de ferro” da Matchbox.


Seja em tamanho real ou em miniatura, “a CB 400 era o sonho de consumo, um marco da indústria nacional. Aliás, sonho para poucos. O modelo Honda carregava status, glamour. Época de um motociclismo romântico. Comparando, seria como comprar hoje modelos de luxo da BMW, Harley ou Triumph”, finaliza, saudosista, Evandro Baptista, que se diz um apaixonado pelo ronco dos motores de três cilindros da marca inglesa.

FOTOS: Renato Teixeira