DOC MOTO: HARLEY FXDR 114 NO BRASIL E AS NOVAS CORES PARA 2019

 

Antes que me perguntem, o lineup brasileiro terá sim a nova FXDR 114 e a Sport Glide, que foi lançada como modelo mid-year em 2018. Ambas já estão em processo de homologação no País. Abaixo minha percepção e comentários sobre os modelos e as paletas de cores.

Como cheguei nos EUA em pleno Labor Day (feriado americano análogo ao nosso Dia do Trabalho) acreditei que não iria encontrar lojas abertas no estado da Flórida. A minha primeira opção foi a Palm Beach Harley-Davidson que, de fato, estava fechada. Segui adiante para a pequena cidade de Stuart para conhecer a revenda Treasure Coast Harley-Davidson. Lá fui razoavelmente bem atendido e digo, razoavelmente, pois minha intenção era apenas olhar os novos modelos e comprar uma camisa que procurava. Lá pude ver algumas motos em cores que potencialmente me interessariam no Brasil, já que as mudanças da linha Harley 2019 foram principalmente cosméticas, vamos lá:

FXDR 114

Divulgação

O modelo foi o único lançamento para a linha 2019 (até o momento) e fonte de muitos comentários tanto positivos, como negativos. De uma maneira geral, a moto traz linhas bem agressivas e, com certeza, vai atrair o público que ficou órfão da família da V-Rod. Como só tive a possibilidade de ver em Vivid Black posso dizer que o modelo lembra, em alguns aspectos, a Night Rod Special, principalmente no tocante a posição de pilotagem.

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O banco é um tanto desconfortável para longos percursos, mas o propósito do modelo não será este. E para quem perguntar, a tampa atrás do banco sai e dá para um “buraco” que não pode se chamar de porta-trecos. Na verdade, a intenção da marca foi deixar um espaço para a instalação de um banco para uma eventual garupa.
De fato, o filtro de ar, que foi desenhado para ser algo similar ao oferecido pela linha Screamin’ Eagle, ficou um tanto estranho, virando alvo de piadinhas no Brasil, já que foi comparado com uma furadeira Bosch. Realmente, o brasileiro é muito criativo.
Uma solução que achei um tanto estranha e levanta dúvidas quanto sua durabilidade é o “para-lama” traseiro. A peça é feita em plástico.

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A FXDR 114 promete ser um sucesso de vendas, especialmente por deixar o motor de arrefecimento líquido de lado e ter instalado no berço do chassi o tradicional V2 com refrigeração a ar, que traz de volta o som do motor digno de uma HD, ainda que o Milwaukee Eight não se compare com o som dos Evolution.

Heritage Classic


Billiard Blue & Billiard White. Esta combinação de cores ficou muito interessante e talvez ficasse melhor ainda se a Heritage tivesse os cromados de volta. Se a HD-BR decidir incluir como opção será uma cor popular . Com o motor 107 Milwaukee Eight haverá duas opções de cores em dois tons para a Heritage: Wicked Red e Twisted Cherry (já conhecida da linha 2018, em outros modelos).
O azul, que parece em fotos como sendo um azul-marinho brilhante, ao vivo dá a impressão de ser uma cor sólida, que não fica tão bonita assim a não ser na combinação de dois tons.

Fat Boy


Talvez uma das cores mais bonitas para 2019 e que estará na Fat Boy e na Deluxe (na Heritage terá uma opção dois tons, porém só na versão equipada com o motor de 114 Milwaukee Eight). É um marrom metálico, lindo, chamado de Rawhide. Estará disponível também como opção Denim (fosca) na Iron e também na Fat Bob. Porém a cor metálica é algo simplesmente maravilhosa e de muito bom gosto.

Deluxe e Low Rider


Em 2018, a opção de dois tons de marrom com prata foi uma combinação interessante, entretanto, para 2019 a HD preferiu seguir uma linha mais tradicional em oferecer um azul (diferente da Heritage) com prata, chamado de Midnight Blue & Barracuda Silver. Quem olha a moto dentro do showroom tem uma certa dificuldade em ver que a cor é azul, pois é tão escuro que facilmente se confunde com preto.
Na foto acima, a Deluxe até dá para parecer que é azul. A Low Rider também ganhou a cor Midnight Blue, que também parece preto.
Outra cor que pude ver na Low Rider foi o Barracuda Silver, que também deixa a moto bonita (ainda que preferisse o Bonneville Salt, de 2018).

Slim


A Slim na foto promocional tanto do site da HD como do catálogo, em Billiard Blue, faz parecer que a moto é um azul lindo, metálico, mas ao vivo perde um pouco o impacto. Entretanto, há um amarelo fosco chamado de Rugged Gold Denim que ficou bem interessante, além do mesmo vermelho fosco das touring. Resta saber quais serão as cores que a HD-BR pretende comercializar. Gosto não se discute. Façam suas apostas?

Texto e Fotos Dan Morel, do Blog Doctor Dan, especial para MinutoMotor

POR DENTRO DA LINHA SOFTAIL 2018 DA HARLEY

Piloto motos Harley-Davidson há 20 anos. Já estive na sede e na fábrica da companhia em Milwaukee (EUA), além de conhecer a linha de montagem da H-D em Manaus (AM). Aliás, a única fora dos Estados Unidos. No final de março fui convidado para uma nova experiência com marca: participar de um curso na escola Senai-SP, que fica no bairro do Ipiranga. A ideia era dessecar a linha Softail 2018, formada pelos modelos Street Bob, Fat Bob, Slim, Deluxe, Fat Boy, Heritage Classic e Breakout.

Sob o comando do instrutor Jefferson de Queiroz (acima), o grupo aprendeu as características comuns entre os novos modelos, além de suas diferenças como, por exemplo, ângulo de inclinação do garfo dianteiro, capacidade do tanque de combustível e regulagem do amortecedor traseiro. No caso específico da Fat Boy e da Breakout os braços das suspensões traseiros são mais largos, já que as motos ganharam pneus mais largos. O pneu traseiro da Breakout tem 240mm.

A “cereja do bolo” foi conhecer internamente o motor Milwaukee-Eight “B”, que traz dois balanceiros sincronizados com a árvore de manivelas. Ou seja, menor incidência de vibração. A família Softail ganhou estes big-twins nas versões de 107 e 114 polegadas (1.753 cm³ e 1.868 cm³, respectivamente). Ambos com radiador de óleo para ajudar a dissipar o calor. Para completar foi hora de fazer exercícios práticos. O primeiro verificar códigos de falha que se apresentam no painel. Na sequência remover e instalar a bateria; depois trocar do cabo da embreagem e, por fim, tirar o tanque de combustível de uma Softail.
Para realizar as tarefas é preciso calma, organização e seguir o passo-a-passo para a realização de cada procedimento específico. Separar as ferramentas primeiro é uma excelente ideia. No caso da retirada do tanque, o jornalista-aprendiz teve que remover outras partes da moto: painel e até a bomba de combustível. Como em qualquer outra missão, os procedimentos devem ser seguidos à risca. Isso é garantia de um bom trabalho e no menor tempo possível. O difícil mesmo é saber quanto de força deve ser usada para reapertar o parafuso. Para isso nada melhor que utilizar o torquímetro. Pilotar uma Harley é uma tarefa fácil e prazerosa. Mas nada melhor que estar sobre uma máquina e ter conhecimento técnico de como funciona cada componente. Ou seja, conteúdo nunca é demais, mesmo sobre duas rodas. (Texto: Aldo Tizzani / Fotos: Johanes Duarte / Photo and Road)