HARLEY FABRICARÁ UMA MOTO DE 338CC EM PARCERIA COM QIANJIANG

Com a missão de atrair novos clientes para a marca, a Harley-Davidson anunciou hoje (19/06), uma parceria com a chinesa Qianjiang Motorcycle Company Limited. As empresas querem lançar uma motocicleta menor, mais acessível e, consecutivamente, ampliar a participação da Harley na China e outros países da Ásia, já para o final de 2020. Segundo a agência Reuters, a empresa espera gastar entre US$ 675 milhões a US$ 825 milhões nos próximos quatro anos, cortando custos e gerando receita de US$ 5,9 bilhões a US$ 6,4 bilhões em 2022. Tudo parte do plano de expansão chamado “Mais caminhos para a Harley-Davidson”.

Segundo o comunicado oficial, “esta colaboração une a liderança global da Harley-Davidson com a capacidade de co-desenvolvimento de uma pequena moto premium de 338 cm³ de capacidade -, um dos menores já fabricado pela marca em seus 116 anos de história – para venda, inicialmente, no mercado chinês, sendo seguido por demais mercados asiáticos. A Qianjiang foi o parceiro selecionado pela HD, baseado na sua experiência de desenvolver motocicletas premium de baixa cilindrada, por contar com uma base de fornecedores já estabelecida, possuir capacidade em mercados emergentes e ter a habilidade de atender aos requerimentos dos consumidores”.

Para Matt Levatich, Presidente e Chief Executive Officer da Harley-Davidson, “a companhia sempre teve como princípio trazer inspiração aos pilotos ao redor do mundo. Nosso plano é oferecer nosso estilo de vida e o espírito de liberdade para mais pessoas. Nós estamos animados com esta oportunidade de desenvolver ainda mais a cultura das duas rodas na China, um dos maiores mercados consumidores de motocicleta do mundo”, afirma Levatich, dizendo que a Ásia é a chave para a Harley atingir o seu objetivo, que é crescer 50% até o ano de 2027. Falando em números, as vendas da Harley na China cresceram 27% em 2018 em comparação a 2017, e a companhia já aumentou os investimentos em sua fábrica na Tailândia para atender a esse mercado e evitar tarifas de importação adicionais. Além de um forte interesse pelo mercado indiano.

“Nós estamos satisfeitos de colaborar com a Harley-Davidson”, disse Donhshao GUO, Gerente Geral da Qianjiang. “Temos capacidade de produção e experiência comprovadas na China. Nós estamos comprometidos em melhorar a experiência do motociclista asiático”, disse o executivo chinês.

Segundo a Harley, o novo modelo terá um visual característico e distinto, além de um som que trará boas sensações e que irão se conectar com os novos motociclistas. A nova “little Harley” será produzida na fábrica da Qianjiang, em Winling (Província de Zhejiang), e irá adotar os rigorosos padrões de qualidade da marca norte-americana.

Comentários do autor
A pergunta mais importante que fica, na verdade, é em relação ao mercado brasileiro, que também é considerado um mercado emergente, no qual a líder Honda detém 80% de share de mercado. A primeira análise levaria a crer que não veremos mudança na estratégia da HD para o Brasil, principalmente por suas motos serem vistas e vendidas como produto premium e diferenciado – razão pela qual a Street 500/750 nunca apareceu para ser vendida por aqui, a não ser em uma rápida aparição em uma edição do Harley Days, apenas para pesquisa de mercado.
Por outro lado, analisando os números da Honda e seguindo os passos de outras marcas premium, como a BMW (que lançou a sua 310cc), além da KTM com as suas Duke (200 e 390cc), acredito que a HD possa olhar com carinho a possibilidade de expansão também na América do Sul. Em breve veremos cenas dos próximos capítulos, já que o “Annual Summer Dealer Meeting” acontece nos dias 20 e 21 de agosto, em Milwaukee, estado do Wisconsin. Ou seja, na própria casa da Harley-Davidson.

Texto Dan Morel, do Blog Doctor Dan, especial para MinutoMotor / Fotos Divulgação

CONHEÇA A “SOPA DE LETRINHAS” QUE DENOMINA AS HARLEY

CONHEÇA A “SOPA DE LETRINHAS” QUE DENOMINA AS HARLEY

Certamente muitos apaixonados pelo mundo das duas rodas já se perguntou o que significa aquela “sopa de letrinhas” que identifica os modelos da Harley-Davidson. A maioria deve ter se questionado se isso tudo faz algum sentido. Bom, a resposta é sim! Todas aquelas letras que designam um modelo H-D seguem uma linha coerente linha de raciocínio e, hoje, é dia de decifrá-las. Usarei como exemplo dois modelos com longas designações: Ultra Classic Electra Glide, que é denominada FLHTCU; e a Bad Boy (Softail produzida entre 1995 e 1997), também conhecida como FXSTSB. Vale ressaltar que a explicação abaixo vale apenas para os motores “Big Twin”.

1ª Letra: Significa a série do motor

G = Servicar três rodas, produzido de 1932 a 1973
E = Válvulas Overhead de 61 polegadas cúbicas (1000 cc) “Big Twin” (Motor / transmissão separados)
F = Válvulas Overhead de 74 (1200 cc) ou 80 (1340 cc) polegadas cúbicas “Big Twin”
K = Válvula lateral 45 (750 cc) e 55 (900 cc) polegadas cúbicas que substituiu o WL em 1953 e foi substituído pelo Sportster em 1957. O modelo tinha muitos recursos de design que foram transportados para o Sportster.
U = Válvula lateral de 74 (1200cc) ou 80 (1340 cc) polegadas cúbicas “Big Twin”
V = Válvula lateral de 74 (1200cc) polegadas cúbicas feitas antes de 1936
W = Válvula lateral de 45 (750 cc) polegadas cúbicas feitas de 1934 a 1952
X = Esportiva e construção especial. Aplicado no período entre 1918 e 1922 para motores Twin opostos Sport. Em 1944 para motores militares opostos Twin e em 1957 para apresentar a linha Sportster.

2ª Letra: Identifica o tamanho da frente (garfo dianteiro)
*Exclui as Sportster e V-Rod

L = Pneu dianteiro largo e garfo dianteiro Hydra-Glide
X = Pneu dianteiro fino e garfos dianteiros esportivo (fino)

3ª Letra: Designa o chassi ou características da moto

H/T = Highway/Touring
ST = Softail
D = Dyna
R = Rubber-Mount ou Racing (dependendo do modelo)
B = Belt-Drive, partida a bateria (modelos iniciais)

4ª e demais letras: Características dos modelos

A = Versão Militar para exército
B = Acabamento preto,
C = Classic, Competition, Custom
D = Deuce
DG = Disc Glide
E = Partida elétrica
F = Partida a Pedal, “Fat”
H = Varia entre alta performance e alta carga. Por exemplo, as primeiras FLH produziam 5 cv de potência a mais do que as FL regulares.
I = Injeção Eletrônica
L = Low
LR = Low Rider
N = Night (como na Nightster ou Iron 883/1200)
P = Versão Policial
R = Road King
S = Versão Esportiva (exemplo: FLHS – Electra Glide Sport) ou Frente Springer
T = Touring
U = Ultra
WG = Wide Glide
X = Special

Vejamos então a tradução dos modelos mencionados acima:

FLHTCU – Ultra Classic Electra Glide
F = Motor Big Twin
L = Frente Larga
HT = Chassi Highway/Touring
C = Classic
U = Ultra

FXSTSB – Bad Boy
F = Motor Big Twin
X = Frente Fina
ST = Chassi Softail
S = Springer
B = Acabamento preto

Antes de passarmos para a explicação das Sportster e dos novos modelos Softail, equipados com o motor Milwaukee-Eight, vamos explicar a V-Rod.
A família esportiva da H-D, a V-Rod sempre foi conhecida pelas letras VRSC que significa:
V = V Twin
R = Racing
S = Street
C = Custom

Os modelos da família V-Rod ao longo do tempo foram identificados com as seguintes letras:
A = Modelo Inicial
B = Acabamento Preto (chassi principalmente – já que originalmente era pintado de cinza)
D = Dark (Night Rod)
F = Fat (Muscle)
R = Racing (Street Rod)
X = Special

As Sportster são denominadas XL (antes eram XLH) e a explicação aqui é que o “X” representa a esportividade e a letra “L” denominava motores de alta compressão. Já a letra “H” foi introduzida em 1958 para denominar uma taxa de compressão ainda maior. E em 1959 surgiu a XLCH (CH de Competition Hot).

Outra denominação que foi comum a Sportster foi a XLCR (CR significando Cafe Racer) produzida de 1977 a 1978, e a XR 1000 (na qual o “R” denominava Racing).

Softails Milwaukee-Eight
Uma mudança de nomenclatura começou a ser colocada em prática em 2008 com o surgimento da Rocker e mantido na Blackline e Slim. A Rocker era denominada FXCW:
F = Big Twin
X = Frente Fina
C = Custom
W = Wide (pneu de 240 mm).

Já a Blackline era FXS e a Slim FLS, tentando simplificar a nomenclatura. O mesmo padrão foi seguido com a introdução do motor Milwaukee-Eight nos modelos Softail onde:
FX = Big Twin de frente fina
FL = Big Twin de Frente Larga

Restante das letras denomina o modelo:

BB = Street Bob
LR = Low Rider
SL = Slim
FB = Fat Boy / Fat Bob
DE = Deluxe
HC = Heritage Classic
BR = Breakout
DR = Drag Racing

Quando a última letra for acrescida do “S”, significa Sport e se refere ao motor de 114 polegadas cúbicas.

Texto Dan Morel, do Blog Doctor Dan, especial para MinutoMotor / Fotos Divulgação

DOC MOTO: HARLEY FXDR 114 NO BRASIL E AS NOVAS CORES PARA 2019

 

Antes que me perguntem, o lineup brasileiro terá sim a nova FXDR 114 e a Sport Glide, que foi lançada como modelo mid-year em 2018. Ambas já estão em processo de homologação no País. Abaixo minha percepção e comentários sobre os modelos e as paletas de cores.

Como cheguei nos EUA em pleno Labor Day (feriado americano análogo ao nosso Dia do Trabalho) acreditei que não iria encontrar lojas abertas no estado da Flórida. A minha primeira opção foi a Palm Beach Harley-Davidson que, de fato, estava fechada. Segui adiante para a pequena cidade de Stuart para conhecer a revenda Treasure Coast Harley-Davidson. Lá fui razoavelmente bem atendido e digo, razoavelmente, pois minha intenção era apenas olhar os novos modelos e comprar uma camisa que procurava. Lá pude ver algumas motos em cores que potencialmente me interessariam no Brasil, já que as mudanças da linha Harley 2019 foram principalmente cosméticas, vamos lá:

FXDR 114

Divulgação

O modelo foi o único lançamento para a linha 2019 (até o momento) e fonte de muitos comentários tanto positivos, como negativos. De uma maneira geral, a moto traz linhas bem agressivas e, com certeza, vai atrair o público que ficou órfão da família da V-Rod. Como só tive a possibilidade de ver em Vivid Black posso dizer que o modelo lembra, em alguns aspectos, a Night Rod Special, principalmente no tocante a posição de pilotagem.

Divulgação

O banco é um tanto desconfortável para longos percursos, mas o propósito do modelo não será este. E para quem perguntar, a tampa atrás do banco sai e dá para um “buraco” que não pode se chamar de porta-trecos. Na verdade, a intenção da marca foi deixar um espaço para a instalação de um banco para uma eventual garupa.
De fato, o filtro de ar, que foi desenhado para ser algo similar ao oferecido pela linha Screamin’ Eagle, ficou um tanto estranho, virando alvo de piadinhas no Brasil, já que foi comparado com uma furadeira Bosch. Realmente, o brasileiro é muito criativo.
Uma solução que achei um tanto estranha e levanta dúvidas quanto sua durabilidade é o “para-lama” traseiro. A peça é feita em plástico.

Divulgação

A FXDR 114 promete ser um sucesso de vendas, especialmente por deixar o motor de arrefecimento líquido de lado e ter instalado no berço do chassi o tradicional V2 com refrigeração a ar, que traz de volta o som do motor digno de uma HD, ainda que o Milwaukee Eight não se compare com o som dos Evolution.

Heritage Classic


Billiard Blue & Billiard White. Esta combinação de cores ficou muito interessante e talvez ficasse melhor ainda se a Heritage tivesse os cromados de volta. Se a HD-BR decidir incluir como opção será uma cor popular . Com o motor 107 Milwaukee Eight haverá duas opções de cores em dois tons para a Heritage: Wicked Red e Twisted Cherry (já conhecida da linha 2018, em outros modelos).
O azul, que parece em fotos como sendo um azul-marinho brilhante, ao vivo dá a impressão de ser uma cor sólida, que não fica tão bonita assim a não ser na combinação de dois tons.

Fat Boy


Talvez uma das cores mais bonitas para 2019 e que estará na Fat Boy e na Deluxe (na Heritage terá uma opção dois tons, porém só na versão equipada com o motor de 114 Milwaukee Eight). É um marrom metálico, lindo, chamado de Rawhide. Estará disponível também como opção Denim (fosca) na Iron e também na Fat Bob. Porém a cor metálica é algo simplesmente maravilhosa e de muito bom gosto.

Deluxe e Low Rider


Em 2018, a opção de dois tons de marrom com prata foi uma combinação interessante, entretanto, para 2019 a HD preferiu seguir uma linha mais tradicional em oferecer um azul (diferente da Heritage) com prata, chamado de Midnight Blue & Barracuda Silver. Quem olha a moto dentro do showroom tem uma certa dificuldade em ver que a cor é azul, pois é tão escuro que facilmente se confunde com preto.
Na foto acima, a Deluxe até dá para parecer que é azul. A Low Rider também ganhou a cor Midnight Blue, que também parece preto.
Outra cor que pude ver na Low Rider foi o Barracuda Silver, que também deixa a moto bonita (ainda que preferisse o Bonneville Salt, de 2018).

Slim


A Slim na foto promocional tanto do site da HD como do catálogo, em Billiard Blue, faz parecer que a moto é um azul lindo, metálico, mas ao vivo perde um pouco o impacto. Entretanto, há um amarelo fosco chamado de Rugged Gold Denim que ficou bem interessante, além do mesmo vermelho fosco das touring. Resta saber quais serão as cores que a HD-BR pretende comercializar. Gosto não se discute. Façam suas apostas?

Texto e Fotos Dan Morel, do Blog Doctor Dan, especial para MinutoMotor

COM OUSADIA E NOVOS MODELOS, HARLEY QUER RENOVAR PÚBLICO


É preciso se reinventar para crescer. Enfrentar desafios, criar novos rumos e oportunidades! A partir de agora a Harley-Davidson adotará uma atitude mais agressiva para renovar seus produtos e, consequentemente, buscar consumidores cada vez mais jovens. Prestes a completar 115 anos, a H-D apresentou em 30 de julho o projeto More Roads to Harley-Davidson. Nestes novos caminhos, a marca terá modelos em novas categorias e até motos de baixa capacidade cúbica produzidas no continente asiático. Essa é a estratégia da marca norte-americana para se popularizar. Segundo a própria Harley, o primeiro passo é criar uma nova plataforma (modular) capaz de servir de base para três novos modelos e de motorização distinta, que podem variar de 500cc a 1.250cc, mas sempre com motor V2.


A notícia está causando o maior alvoroço nos sites especializados e nas mídias sociais. Muita especulação ainda em relação às especificações técnicas. A Pan America 1250 (acima) será uma “adventure touring”. Este ‘tanque de guerra’ estará equipado com motor V2 de 1250cc de arrefecimento líquido. A moto terá suspensões de longo curso (Showa) freios Brembo (duplo disco e pinça de fixação radial na dianteira), painel 100% digital e múltiplas proteções (farol, tanque, motor e manoplas, com pisca integrado). O formato da carenagem frontal lembra a Road Glide, da família Touring. Com a Pan America 1250 os caminhos ganharão novos pisos: terra, areia, cascalho! 

A Streetfighter 975 (acima) lembra muito a XR 1200 X, só que com um design mais agressivo e entre-eixo menor. Ambas chegam em 2020. No ano seguinte será a vez da Custom 1250 (abaixo), que compartilha o motor com a Pan America. A moto fará parte de um seleto grupo formado pelas muscle bike. Sua principal concorrente será a Ducati XDiavel. Começa a ser vendida em 2021. Porém, a ousada estratégia de crescimento começa com a LiveWire (última foto), modelo elétrico que será lançado em agosto de 2019. Ou seja, em breve teremos mais novidades sobre a moto que, em vez de gasolina, traz bateria de íons de lítio. Mas os projetos com energia elétrica não ficarão apenas na moto. Devem ter outras finalidades! A marca ficará eletrizada!


Depois de todo o imbróglio com o presidente Donald Trump, a montadora americana fez uma parceria com uma fábrica asiática, cujo nome está sendo guardado em segredo. O objetivo será entrar no mercado de modelos de baixa cilindrada. O foco estará nas motos entre 250cc a 500cc, destinadas para a Índia e outros mercados da Ásia. Será que futuramente será fabricada no Brasil? Motos de “massa” não são nenhuma novidade para quem tem mais de 50 anos. A marca, que havia sido vendida para a American Machine and Foundry (AMF), vendia no Brasil as Harley-Daidson Motovi SS, nas versões 125/175/250. Os modelos, equipados com motores de um cilindro, eram importados pela Magazine Mesbla, nos anos de 1960.

Ou seja, a marca norte-americana terá uma nova imersão nos modelos de baixa cilindrada. Mas será que a popularização da marca, tida como Premuim, não causará certa estranheza por parte dos mais abonados, que tem na Harley símbolo de status. Muitos clientes tradicionais irão torcer no nariz?! Vender motos populares em marca luxo não será uma tarefa das mais fáceis. Mas a atitude ousada da centenária marca norte-americana mostra que quem fica parado é poste. A mudança de rota e a entrada em novos segmentos podem ser decisivos para o futuro. Meu desejo é que a H-D se reinvente e traga à reboque um público da vez mais jovem para o mundo das duas rodas. As motos podem mudar, as marcas podem mudar e até as pessoas podem mudar. Mas a sensação de vento no rosto, a tal liberdade, continuará viva em todo motociclista.

 

CARIOCAS VENCEM CONCURSO DE CUSTOMIZAÇÃO DA HARLEY

Rusty Rio. Esse é o nome do projeto vencedor da primeira edição do Battle Of The Kings Brasil, concurso de customização realizado entre as concessionárias Harley. Com a vitória, a moto da concessionária Rio Harley-Davidson, do Rio de Janeiro, representará o País na final mundial que acontece no Salão de Motos de Milão, na Itália. Mas qual a mágica que os mecânicos cariocas criaram para transformar a Sportster Forty-Eight em uma obra de arte sobre duas rodas?

A inspiração veio da brisa do mar, ou melhor da força corrosiva da maresia. Algo bem característico da “Cidade Maravilhosa”. A Rusty Rio é uma versão em duas rodas dos ‘rat rods’, tendência de customização de veículos que adota um aspecto de velho, enferrujado. Wagner ‘Mexicano’, da Rio Harley-Davidson, conta que a intenção era deixar a Sportster com uma cara ‘bandida’, com peças com acabamento em preto – bengala e tampa da transmissão primária. “Este projeto é marcado pela criatividade, rebeldia e ausência de cromados”, conta o mecânico que ressaltou o trabalho coletivo do time carioca.

Além do estilo dark, algumas peças foram descartadas para deixar a Sportster Forty-Eight mais clean. Entre elas, capa do pinhão e a parte interna do paralama, que na dianteira foi encurtado. O projeto da Rusty Rio também teve inspiração na coleção “Brass Collection”, que homenageia os 115 anos da H-D, mesclando o vintage com o moderno. A moto ganhou da guidão mais alto da linha CB, pneus faixa branca e banco solo em couro marrom.Mas, o que chama a atenção mesmo é a presença da tecnologia eletroluminocente e folhas de ouro aplicadas no tradicional tanque “peanut” (no formato de amendoim). “A assinatura da Harley-Davidson ascende e combina perfeitamente com o estilo da moto”, resume Wagner ‘Mexicano’.

Flávio Villaça (acima e ao ao centro), gerente de marketing da Harley-Davidson para América Latina, destaca a participação de 14 concessionárias H-D, além da participação do público. O concurso Battle Of The Kings 2018 recebeu mais de 10 mil votos via internet e os projetos mais votados (abaixo) passaram pelo crivo de um júri especializado que definiu o projeto campeão. “Vale ressaltar a competência e a paixão da rede H-D que produziu verdadeiras obras de arte, cheias de estilo e personalidade. A customização de uma Harley é o ápice da liberdade de expressão individual”, filosofa Villaça.

Do Rio para a Itália. Agora a Rusty Rio cruzará o Atlântico para e representar o Brasil na fase mundial do concurso, que acontecerá durante o EICMA 2018 – Salão de Motos de Milão (ITA), onde será escolhido o projeto campeão mundial do Battle Of The Kings 2018. A batalha entre os ‘reis da customização’ não poderia ser realizada em local mais propício, já que a cidade italiana é considerada a capital da moda e do design. Mas entre 6 e 11 de novembro, Milão será a capital mundial da moto – original ou customizada. Seja na moda, design ou em duas rodas, a cidade estará sempre na vanguarda, ditando tendências.  (FOTOS: Julia Foroni)

DUAS MULHERES, DUAS HARLEY E UM SONHO

Experientes motociclistas, Ana Pimenta e Ana Sofia são fanáticas pelo ronco do motor “V2” e, como a paixão é grande, elas irão fazer um ‘rolezinho básico’ de cerca de 28 mil km pilotando duas Harley-Davidson entre Porto Alegre (RS) e Milwaukee, nos Estados Unidos. A ideia é rodar por 115 dias, passar por 115 concessionárias da centenária marca norte-americana e chegar no primeiro dia da grande festa de aniversário dos 115 anos da Harley, em Milwaukee, Estado de Winsconsin (EUA). O roteiro épico das Anas foi batizado de “The Ride 115”.

A partida acontece agora em 19 de maio, na capital gaúcha, e a chegada em Milwaukee – berço do ícone norte-americano – está prevista para 29 de agosto. Na primeira parte da viagem, Ana Pimenta e Ana Sofia rasgarão o Brasil de Sul a Norte. Passarão por Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás, Tocantins, Maranhão, Pará e Amazonas.

Na segunda e maior etapa do roteiro, as duas cruzarão os estados norte-americanos da Florida, Geórgia, Carolina do Norte, Tennessee, Mississippi, Los Angeles, Texas, Arizona, Nevada, Califórnia, Utah, Idaho, Wyoming, Dakota do Sul, Minnesota, Illinois, Michigan e Winsconsin. Além do desafio de rodar 28 mil quilômetros, as meninas levarão a bandeira da prevenção do câncer de mama, doença que atinge hoje 1,4 milhões de homens e mulheres em todo o mundo. Para Ana Pimenta, além da paixão pela Harley, “esta viagem é uma jornada pela vida”!

Para suportar horas e horas no comando das motos – Street Glide e Ultra Limited , ambas da linha Touring da Harley -, a dupla intensificou trabalhos de condicionamento físico, apostaram no pilates, treinos programados na academia e caminhadas. A preparação mental também é importante e a prática da Ioga será fundamental. 

A ansiedade e a repercussão da viagem só aumentam, assim como o número de fãs que querem rodar um pouquinho com as Anas. Se você quer saber onde elas estarão é só entrar no site www.theride115.com e conferir o roteiro.  Além das mídias sociais:

Instagram: @theride115
Facebook: The Ride 115
Twitter: @theride115

A dupla tem o apoio da Harley-Davidson, GAB Transportes, DiRoma, RCI e AMCHAM.

Fotos: Johanes Duarte / PhotoandRoad

 

TSUNAMI DE HARLEYS ATINGE CAMBORIÚ (SC)

A vida só tem sentido se colecionarmos experiências. Com as ruins aprendemos, as boas guardamos de recordação. Agora tenha em mente esta equação: experiência positiva, somada com um grupo de amigos que compartilham da mesma paixão. De quebra eleve este produto a um lugar paradisíaco com céu azul e mar de águas mornas. Tudo em um clima do mais puro alto astral. O resultado foi o National H.O.G. Rally 2018, que aconteceu em Balneário Camboriú (SC) entre os dias 28 e 30 de abril. O evento anual organizado pela Harley-Davidson reuniu 1200 pessoas e cerca de 700 motos no badalado litoral catarinense. Um verdadeiro “tsunami de motos” que invadiu as ruas da cidade. 

Além do cenário cinematográfico, esta irmandade sobre duas rodas pode participar de festas a beira da piscina regadas com o bom e velho rock´n roll, jantar e festa a fantasia (com temática Anos 80). Além, é claro, do tradicional desfile de Harleys, que ligou o balneário até Penha, onde fica o Beto Carreiro (parque temático), num percurso de 30 quilômetros. Lá foi realizado o ‘Motor Games’, disputa de habilidades de pilotagem sobre as máquinas americanas, e o almoço de confraternização. No final das contas foram muitos quilômetros rodados e novas amizades para adicionar aos contatos do celular. Confira abaixo algumas histórias que rolaram durante o H.O.G. Rally:

Experiência internacional
Roberto Thedaco (acima), de 48 anos, é fã de carteirinha da Harley-Davidson. A bordo deste ícone americano há 11 anos, o empresário já rodou quase 130 mil quilômetros, que foram divididos entre viagens no Brasil, Estados Unidos, Europa e Austrália. Na garupa sua inseparável companheira Ketty. Sua primeira H-D foi uma V-Rod, moto que chegou ao Brasil em 1.999 custando míseros R$ 100 mil.
Simpático e de sorriso largo, Thedaco diz não comprou uma moto, adquiriu um novo estilo de vida e, de quebra, veio uma família junto. “Claro que as Harleys são importantes, já que nos levam a descobrir lugares maravilhosos, além conquistar novos amigos”, afirma o mototurista. “As minhas motos são como “Lego”, já que não acabo de encaixar peças e acessórios”.
Hoje Thedaco é dono de uma Ultra Limited, edição comemorativa aos 115 anos da marca, que rodou de São Paulo até o Balneário Camboriú com outras 50 Harleys no “bonde” da concessionária ABA.

Estranho no ninho
Ver uma BMW K 1600 GTL (moto prata) no meio de cerca de 700 Harleys parece uma cena surreal, mas aconteceu no desfile de motos entre Balneário Camboriú e Penha. Andrei Rakowitsch, que também é dono de uma H-D Road King, esbanjava bom humor. “Rodo também de Harley, tenho amigos harleiros, mas, desta vez optei pelos seis cilindros da K 1600”, brincou.
Aos 67 anos, o empresário de São Paulo, decidiu vir com a grã-turismo alemã pelo maior nível de conforto para encarar trechos mais longos. “A idade pesa. Em viagens mais curtas, a ‘rainha da estrada’ é minha companheira habitual”, afirmou, dizendo que os eventos organizados pela Harley são muito democráticos. “Qualquer motociclista, dono de qualquer tipo ou marca de moto, é sempre muito bem recebido. Em outras marcas a recíproca não é verdadeira”, conta o experiente piloto.

Sonho de infância
“Meu sonho de infância era ter uma Harley. Hoje sou dono de uma Fat Boy 2009”, conta Cláudio Quirino Guimarães, 43 anos. Sempre ligado em carros e motos, o empresário fez sua primeira viagem de H-D entre São Paulo e o balneário catarinense. “A sensação de ‘poder’ é indescritível”, conta com lágrimas nos olhos.
Para comprar a Fat Boy, Cláudio teve de abrir mão de uma outra joia sobre rodas, um Chevrolet Opala SS, 1975, impecavelmente restaurado. 
“Hoje me sinto um pouco dependente da Fat Boy. Não consigo ficar dois dias sem pilotar minha moto. Invento desculpas para ir comprar algo ou encher o tanque. Mas, ao mesmo tempo que você fica ‘pilhado’ para pilotar, a moto também oferece um efeito relaxante. “Harley é isso, uma turbulência de sentimentos e emoções”, resume Cláudio Guimarães. Agora o empresário está de olho em uma moto da linha Touring. O objetivo é viajar com mais frequência e conforto ao lado da esposa Bárbara que, aliás, já está de olho na Sportster 883, modelo de entrada da marca da águia.

Aulas de pilotagem para mãe
Ninguém duvida das habilidades de Ana Magosso no comando de sua H-D Street Glide Special (na moto branca), de quase 400 quilos. A curitibana de 21 anos é, hoje, um dos nomes fortes quando o assunto é manobras em baixa velocidade. A jovem foi um dos destaques do ‘Motor Games’, categoria feminina. Ficou na segunda colocação. Perdeu para Samantha Longhi (em primeiro plano pilotando uma H-D Road King), que apresentou um estilo clássico de pilotagem e postura invejável. Isso sem falar na frieza sobre a moto.
Mas como não dá para ganhar todas, Ana vai treinando para melhorar seu desempenho que, aliás, é invejável. Ana começou a pilotar minimotos aos 7 anos e, hoje, a estudante de direito diz que não trocaria sua Harley por nada. “Ela faz parte de mim!”, afirma a fotógrafa nas horas vagas.
Apesar de pai e irmão motociclistas, Ana Magosso teve certa resistência para tirar sua carta de moto. Teve que pagar o valor escondida para fazer os exames teóricos e práticos e obter a tão sonhada CNH, categoria “A”. Depois da aprovação geral da família e, é claro, a cumplicidade do irmão, a futura advogada foi curtir a estrada e já viajou para várias cidades, entre elas, Petrópolis (RJ) e Foz do Iguaçu (PR). Agora Ana Magosso tem dois objetivos: ensinar a mãe a pilotar (já iniciou as aulas) e montar sua própria escola de manobras. Para isso deverá fazer cursos nos Estados Unidos. “Fazer manobras é minha vida”!

Novos harleiros
“Um dos pilares do National H.O.G. Rally é atrair pilotos novatos para uma experiência incrível. Uma viagem com total segurança, a possibilidade de ‘trocar figurinhas’ com pilotos mais rodados e ter ao seu redor um ambiente familiar e de pura confraternização. É uma irmandade que vem crescendo a cada ano”, avalia Flávio Villaça, gerente de Marketing da Harley-Davidson América Latina, que contabiliza hoje 10 mil associados ao H.O.G. no Brasil. O moto grupo da H-D tem 1 milhão de integrantes em todo o planeta.

POR DENTRO DA LINHA SOFTAIL 2018 DA HARLEY

Piloto motos Harley-Davidson há 20 anos. Já estive na sede e na fábrica da companhia em Milwaukee (EUA), além de conhecer a linha de montagem da H-D em Manaus (AM). Aliás, a única fora dos Estados Unidos. No final de março fui convidado para uma nova experiência com marca: participar de um curso na escola Senai-SP, que fica no bairro do Ipiranga. A ideia era dessecar a linha Softail 2018, formada pelos modelos Street Bob, Fat Bob, Slim, Deluxe, Fat Boy, Heritage Classic e Breakout.

Sob o comando do instrutor Jefferson de Queiroz (acima), o grupo aprendeu as características comuns entre os novos modelos, além de suas diferenças como, por exemplo, ângulo de inclinação do garfo dianteiro, capacidade do tanque de combustível e regulagem do amortecedor traseiro. No caso específico da Fat Boy e da Breakout os braços das suspensões traseiros são mais largos, já que as motos ganharam pneus mais largos. O pneu traseiro da Breakout tem 240mm.

A “cereja do bolo” foi conhecer internamente o motor Milwaukee-Eight “B”, que traz dois balanceiros sincronizados com a árvore de manivelas. Ou seja, menor incidência de vibração. A família Softail ganhou estes big-twins nas versões de 107 e 114 polegadas (1.753 cm³ e 1.868 cm³, respectivamente). Ambos com radiador de óleo para ajudar a dissipar o calor. Para completar foi hora de fazer exercícios práticos. O primeiro verificar códigos de falha que se apresentam no painel. Na sequência remover e instalar a bateria; depois trocar do cabo da embreagem e, por fim, tirar o tanque de combustível de uma Softail.
Para realizar as tarefas é preciso calma, organização e seguir o passo-a-passo para a realização de cada procedimento específico. Separar as ferramentas primeiro é uma excelente ideia. No caso da retirada do tanque, o jornalista-aprendiz teve que remover outras partes da moto: painel e até a bomba de combustível. Como em qualquer outra missão, os procedimentos devem ser seguidos à risca. Isso é garantia de um bom trabalho e no menor tempo possível. O difícil mesmo é saber quanto de força deve ser usada para reapertar o parafuso. Para isso nada melhor que utilizar o torquímetro. Pilotar uma Harley é uma tarefa fácil e prazerosa. Mas nada melhor que estar sobre uma máquina e ter conhecimento técnico de como funciona cada componente. Ou seja, conteúdo nunca é demais, mesmo sobre duas rodas. (Texto: Aldo Tizzani / Fotos: Johanes Duarte / Photo and Road)