TAREFA ESPINHOSA: CONHEÇA O C4 CACTUS, NOVO SUV DA CITROEN

   A Citroën já viveu tempos bem mais prósperos no Brasil. Em 2011, quando o mercado brasileiro de automóveis vendia quase o dobro do que vende atualmente, a marca francesa arrebatava quase 3% de participação – foram emplacados naquele ano 90 mil unidades da Citroën. Hoje, o “share” da marca está abaixo de 0,9% e, no primeiro semestre de 2018, comercializou apenas 9.360 carros no Brasil. Ou seja, em um mercado que encolheu 50%, as vendas da Citroën se retraíram quase 80%. Para agravar a situação, depois de 28 anos de parceria, o Grupo SHC resolveu em março deste ano encerrar seu contrato com a PSA Peugeot Citroën e transformar suas 12 concessionárias Citroën em revendas da JAC Motors – desde 2011, o empresário paulista Sérgio Habib, dono do Grupo SHC, é o representante da marca chinesa no Brasil. Como consequência, a disponibilidade de produtos e serviços da Citroën foi afetada em mercados importantes, como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília e Belo Horizonte. Por tudo isso, a Citroën aposta muito no lançamento do Cactus. Lançado na Europa em março de 2014, o SUV chegou totalmente remodelado às concessionárias europeias este ano – e é esse design renovado que foi adotado no modelo produzido na fábrica da PSA Peugeot Citroën em Porto Real, no Sul do Estado do Rio de Janeiro. Disponível em três versões de acabamento – Live, Feel e Shine – e com extensa lista de equipamentos de série, o C4 Cactus tem seis versões e uma ampla faixa de preços de R$ 68.990 da Live manual aos R$ 98.990 da Shine Pack Turbo THP automática. Confira os valores:

Live 1.6 manual: R$ 68.990
Feel 1.6 manual: R$ 73.490
Feel 1.6 automático: R$ 79.990
Feel Pack 1.6 automático: R$ 84.990
Shine 1.6 Turbo THP automático: R$ 94.990
Shine Pack 1.6 Turbo THP Automático: R$ 98.990

O novo C4 Cactus adotou um estilo menos extravagante que o modelo apresentado em 2014, mas mantém um jeito irreverente. Como nos últimos lançamentos da marca, a frente traz a assinatura luminosa em três estágios e o “chevron” tridimensional cromado, que se estende por meio da grade até as extremidades, onde envolvem os DRLs. Na parte baixa, os projetores adotam uma máscara negra. Com a frente alta e horizontal e dois volumes bem definidos na carroceria, a silhueta é fluida, com destaque para o teto “flottant” – no qual as colunas revestidas de preto fosco conferem à capota um aspecto flutuante – e as barras que também trazem o mesmo conceito. Para ampliar a proteção, o C4 Cactus conta com proteções nas molduras das caixas de rodas e na parte inferior da carroceria, bem como Airbumps – bolsas de ar apresentadas em 2014 com o primeiro Cactus – na parte inferior das portas. As rodas aro 17” diamantadas Roby One com pneus de uso misto reforçam o aspecto SUV. Na traseira musculosa, os grupos ópticos – dotados de dois módulos de leds alongados e com efeito 3D – funcionam como uma assinatura luminosa gráfica e tecnológica. O Citroën C4 Cactus oferece amplas possibilidades de personalização graças à oferta da carroceria bicolor. São três opções de cores de teto (Branco Banquise, Preto Perla Nera e Azul Esmeralda), que podem se compor com as seis cores disponíveis da carroceria (Branco Nacré, Cinza Alumínio, Cinza Grafito, Preto Perla Nera e Azul Esmeralda).

Com altura de 1,56 metro, o C4 Cactus é 15 centímetros mais baixo que seu principal concorrente, o Jeep Renegade. Com comprimento de 4,17 metros e largura de 1,71 metro, o C4 Cactus é 7 centímetros mais curto e 9 centímetros mais estreito que o Renegade, mas seu entre-eixos de 2,60 metros é 3 centímetros maior que o do modelo da Jeep. Apesar das dimensões compactas da carroceria, o C4 Cactus não abre mão de uma altura elevada em relação ao solo (225 milímetros) e de bons ângulos de ataque (22 graus) e de saída (32 graus) que caracterizam o segmento de utilitários esportivos. O Cactus teve direção, suspensões, freios, rodas e pneus desenvolvidos especialmente para o mercado latino-americano, que tem estradas bem mais maltratadas em comparação às europeias. Além do Jeep Renegade, outros adversários apontados pela própria Citroën para seu novo modelo são o Hyundai Creta, o Nissan Kicks, o Chevrolet Tracker, o Ford EcoSport, o Renault Captur e o Honda HR-V.

No interior, a extravagante configuração europeia – que inclui quadro de instrumentos de aspecto “flutuante”, porta-luvas com abertura para cima e tiras de couro no painel e nos puxadores de portas – deu lugar a um estilo bem mais ortodoxo na versão para o mercado latino-americano. As cores privilegiam os tons escuros, bem ao gosto do consumidor local. O painel 100% digital, moderno e tecnológico, traz os acabamentos da tela da central multimídia em preto brilhante, à semelhança das telas de iPads e tablets. O tablier tem revestimentos “soft touch”. Todas as versões contam com central multimídia de 7’’ com sistema de áudio com Bluetooth. Ela agrupa sistemas de auxílio à condução, ar-condicionado e telefonia, compatível com Apple CarPlayTM e Android Auto, rádio com seis alto-falantes, equipado com AM, FM e pilotado pelos comandos no volante. O Mirror Screen conta com Android Auto e permite navegação embarcada por meio do Google Maps ou do Waze e gestão de SMS.

São oferecidas para o C4 Cactus duas opções de motor, ambas de 1,6 litro. O THP (Turbo High Pressure) 16V flex, disponível apenas na versão “top” Shine e sempre acoplado a uma caixa de câmbio automática sequencial de 6 marchas, entrega 173 cavalos e 24,5 kgfm. Já o motor 120 VTI Flex Start gera 122 cavalos e um torque de 16,4 kgfm nas versões manuais e 118 cavalos e 16,1 kgfm quando equipado nas versões automáticas. Opcionalmente, as versões Feel e Shine podem vir equipadas com o pacote de equipamentos de segurança e auxílio à direção, que inclui o Active Safety Brake – Sistema de Frenagem Automática e Alerta de Colisão –, Alerta de Atenção ao Condutor e Coffee Break Alert – informa ao motorista quando é hora de uma pausa.

Ciente de que apenas lançar um novo utilitário esportivo não basta para recuperar a imagem, a Citroën está implementantado um amplo programa de valorização dos clientes da marca. O programa inclui veículo reserva, caso o Cactus do cliente precise ficar mais do que quatro dias em reparo, oito anos de assistência 24 horas com serviço de reboque gratuito em casos de pane ou colisão, verificação e abastecimento de fluidos gratuitos na rede Citroën e check-up, calibragem e rodízio de pneus feitos gratuitamente em toda a rede Citroën. A marca francesa sabe que o caminho para reconquistar a confiança é longo e árduo – mas parece disposta a percorrê-lo rápido, a bordo do C4 Cactus.

Experiência a bordo
Citroën C4 Cactus Shine Pack 1.6 Turbo THP Automático

O mais novo Citroën, em sua versão topo de linha, impressiona pelo nível de equipamentos. Vem com sistema Keyless – a chave é identificada por um sensor de proximidade e a porta é automaticamente destravada quando a maçaneta é puxada –, botão Start/Stop − ao pressionar levemente o botão no console central, ativa a ignição −, sistema de áudio HI-FI de alta qualidade, Bluetooth, sistema hands-free, câmera de ré, controle e limitador de velocidade, faróis automáticos, sensor de chuva, espelho eletrocrômico e detector de pressão dos pneus. A versão avaliada tinha o grupo de opcionais Pack, que inclui sistema de frenagem automática, alertas de colisão, de atenção ao condutor e de saída de faixa, indicador de necessidade de descanso, airbag de cortina e, ainda, carroceria de duas cores.

Para um SUV compacto, o espaço interno é correto. O espaço para cotovelos foi aumentado por meio da adoção de painéis de portas mais cavados. Os porta-objetos são práticos e bem dimensionados. Próximo ao painel de bordo, há um nicho associado a dois porta-copos. Na parte posterior do console central, um porta-objeto fechado é mais adequado para a acomodação de volumes de maior valor. Nos nichos das portas dianteiras e traseiras, é possível acomodar garrafas de até 1,5 litro. Bolsas nas costas dos bancos da frente são indicadas para guardar revistas. O porta-malas disponibiliza um volume útil de 320 litros, que se pode estender até 1.170 litros com os bancos traseiros rebatidos.

O conforto é otimizado pela eficiência do conjunto suspensivo, que recebeu amortecedores, molas e batentes reforçados em relação à versão europeia. O aspecto acústico e vibratório também impressiona bem. Em termos ergonômicos, os assentos são bem desenhados, recheados com espumas de textura agradável e contam com regulagem de altura para o motorista e passageiro. Como o volante também oferece ajuste em altura e profundidade, não é difícil para o motorista encontrar uma posição confortável. Entre os aspectos que poderiam evoluir dentro do Cactus estão o mau posicionamento do apoio de braço do motorista no console central (é tão recuado que fica difícil de usá-lo), a existência de apenas uma saída USB e a ausência de saída de ar-condicionado para o banco traseiro. Ajustar o ar-condicionado – como para impedir a entrada de sujeira em trechos poeirentos ou enfumaçados – requer comutar a tela central para tal função, algo que leva tempo e não é nada prático. Um botão próprio para esse fim seria bem-vindo.

Primeiras impressões
Shine Pack 1.6 Turbo THP Automático

A apresentação do Citroën C4 Cactus para a imprensa especializada nacional aconteceu na região de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. A bordo da versão topo de linha Shine Pack THP, em um trajeto de cerca de 80 quilômetros, foi possível percorrer rodovias bem asfaltadas, outras bem maltratadas e até estradas de terra e uma pequena trilha. O motor THP (Turbo High Pressure) 16V Flex basta para fazer do C4 Cactus um crossover esperto, que acelera fácil e permite ultrapassagens seguras. Trata-se de um propulsor bem aparelhado.

Tem injeção direta sequencial, turbocompressor do tipo Twin-scroll, cabeçote de 16 válvulas com duplo comando de válvulas no cabeçote, bomba eletrônica de alta pressão, cabeçote com dois eixos de comando de válvulas, bomba de óleo com gestão de vazão e cárter duplo. Faz uma bela dupla com a caixa de câmbio automática sequencial Aisin de 6 marchas (EAT6), que tem opção de acionamento manual das marchas na manopla do câmbio – o Cactus não oferece a opção de acionamento por “paddleshifts” no volante. O “powertrain” assegura um desempenho compatível com a proposta do carro que, segundo a Citroën, é capaz de acelerar de zero a 100 km/h em 7,3 segundos (com etanol) e chegar à velocidade máxima de 212 km/h. O modelo oferece (três modos de condução: Sport, Drive e Eco. O Drive proporciona o melhor compromisso entre desempenho e consumo, o Sport valoriza o aspecto dinâmico e o Eco privilegia a diminuição do consumo de combustível.

A suspensão honra as boas tradições da Citroën. Calibrada para uma melhor absorção das irregularidades do piso, também assegura o perfeito compromisso entre conforto e agilidade de direção. No asfalto, a maciez dos amortecedores surpreendentemente não prejudica o comportamento do carro nas curvas em alta, transmitindo percepção de confiança. Nas trilhas, o rodar do Cactus é convincente, com bom nível de conforto e absorção de irregularidades. A suspensão, com curso maior que o da versão europeia, cumpre sua função com eficiência e parece flutuar sobre os obstáculos da pista, com uma capacidade de absorção de impactos impressionante. O vão livre do solo de 22,5 centímetros e os bons ângulos de entrada e saída ajudam o Cactus a dar conta do recado na transposição de obstáculos como valetas e lombadas. Talvez a direção elétrica pudesse ser um pouco mais rígida no uso “off-road”, em baixas velocidades. É tão suave que não transmite aquela sensação de firmeza que dá mais segurança ao motorista em terrenos irregulares. Felizmente, equipamentos como o Grip Control, ESP e Hill Assist estão presentes para proporcionar segurança e estabilidade em todos os tipos de piso.

TEXTO E FOTOS: Luiz Humberto Monteiro Pereira / Agência AutoMotrix

Ficha Técnica

Citroën C4 Cactus Shine THP automático

Motor: transversal, 1.598 cm³, flex, 4 cilindros em linha, duplo comando de válvulas no cabeçote, injeção multiponto seqüencial, injeção direta, turbocompressor
Diâmetro e curso: 77 x 85,8 mm
Taxa de compressão: 10,2:1
Potência máxima (gas./álc.): 166/173 cv a 6.000 rpm
Torque máximo (gas./álc.): 24,5 kgfm a 1.400 rpm
Transmissão: automática, 6 marchas com opção de acionamento sequencial na manopla de câmbio
Tração: dianteira
Freios: Dianteiros a disco ventilado e traseiros a disco, com sistema antitravamento ABS
Direção: pinhão e cremalheira com assistência elétrica
Suspensão: Dianteira independente, McPherson, mola helicoidal. Traseira eixo de torção, mola helicoidal
Rodas: 17’’
Pneus: 205/55 R 17
Dimensões
Comprimento: 4,17 m
Largura: 1,71 m
Altura: 1,56 m
Entre-eixos: 2,60 m
Capacidades e peso
Tanque de combustível: 55 litros
Compartimento de bagagem: 320 litros
Peso em ordem de marcha: 1.214 kg

 

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