Test-ride: rodamos com Fat Boy 2021, um rolo compressor sobre duas rodas

Fotos Fabiano Godoy / @ffgodoy

Desde 1990, esse “menino gordo” vem fazendo a cabeça de muitos motociclistas ao redor do mundo. A primeira vez que que a Fat Boy despertou a minha curiosidade foi no filme “O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final”, de 1992. Apesar de meus vinte e poucos anos ainda não tinha carta de moto. Não fiquei impressionado com o voo da moto com Arnold Schwarzenegger, mas sim pela robustez, cara de mau e, obviamente, as rodas sólidas, forjadas em alumínio. Se passaram 30 anos e tive a felicidade de testar várias de suas versões. E hoje é dia de rodar com esse ícone da Harley-Davidson chamado Fat Boy 2021, que chegou na minha garagem zerada e custa a partir de “salgados” R$ 104.150.

Voltando às origens, a versão 2021 troca o cromo acetinado pelos cromados brilhantes: destaque para a tampa de todo conjunto de transmissão. Já o conjunto óptico dianteiro de LED deveria ganhar um prêmio de design ou de inovação tecnológica. Porém, o que é “matador” nessa moto são as rodas Lakester, obra de arte da HD, uma assinatura desde seu lançamento em 1990. A Fat Boy é feita por apaixonados e conta com inúmeros diferenciais: um belo acabamento de metal sobre o tanque de combustível, grandes plataformas para apoio dos pés e assento confortável. É uma moto para puristas, que querem uma clássica com história e “pegada” esportiva. Resumindo: uma cruiser “monstra!”

Esse V2, batizado de Milwaukee-Eight 114, de 1868 cm3 e 16,11 Kgf.m a 3000 rpm é muito forte, ainda mais com a ajuda do acelerador eletrônico que transfere potência e força para a roda traseira praticamente de forma instantânea. Então é hora de “colocar o cinto”!

Com sexta marcha engatada e em uma boa estrada pela frente – Rodovia dos Bandeirantes – a Fat Boy chega a 100 Km/h com a rotação do motor em apenas 2.250 rpm. Se o piloto girar um pouco a manopla, a 2.700 rpm, a moto está a 120 Km/h. A 3.000 giros, a velocidade é “de cruzeiro”! Só para comparar, entre 100 e 130km/h, em quinta marcha engatada, a aceleração é 13% mais rápida que a versão equipada com Milwaukee-Eight 107, que equipava a moto até 2020. O tanque de combustível da Fat Boy tem capacidade para 18,9 litros, que oferece uma autonomia de cerca de 350 quilômetros. Uma autêntica cruiser!

Muitas vezes não é nem preciso baixar uma marcha para fazer uma ultrapassagem, por exemplo, é só acelerar de forma gradativa e aos poucos a moto vai ganhando velocidade. Em outras ocasiões, reduções e acelerações vigorosas parte desta integrante da linha Softail. Se você não tem dó, então é melhor segurar firme já que a moto é uma usina de força prestes a liberar muita energia!

Divulgação

Ciclística progressiva – Rodar na Fat Boy lembra de como era ir no banco de traz do GM Opala (N.R.: estou ficando velho!). Suspensão macia, que copia bem as irregularidades do piso. Hoje, a Fat Boy 2021 tem suspensão traseira monoamortecida da grife Showa, com múltiplos ajustes que mantém a moto colada no asfalto. Como o motor de Milwaukee-Eight 114 tem um alto torque, ele trabalha de forma mais harmônica com o novo chassi de berço duplo mais leve e 65% mais rígido do que equipava o modelo até 2017. Com 16 quilos menos que a versão anterior, este novo conjunto realmente apresenta uma melhor retomada e um arranque mais irracional, em virtude também do maior fluxo de ar oferecido pelo filtro de ar esportivo, também disponível como acessório Screamin’ Eagle, a linha de performance da Harley-Davidson.

A Fat Boy 2021 conta com o sistema de freios ABS que são eficientes, mas ainda aguardamos os freios combinados (Reflex) que equipam a família Touring, isso sem falar no controle de tração, que certamente deixaria o modelo ainda mais seguro. Ainda assim a Fat Boy é uma clássica que se impõe pela beleza e desempenho do motor. Para concluir, a moto pesa 317 kg (em ordem de marcha), tem 2.370 mm de comprimento e um pneu traseiro de 240 mm que pode enrugar o asfalto! Enfim, um rolo compressor sobre duas rodas.