Análise de campeão: nova Ducati DesertX, uma moto que é pura aventura

Campeão do Rali Dakar, em 2002, na categoria “Super Production”, com uma 250 cc, Luiz Mingione fez história na competição off-road mais difícil do mundo e hoje carrega um profundo conhecimento prático e teórico sobre o universo das duas rodas, já que também é considerado um dos pais da Honda Biz e, de quebra, customizou motos na Itália. Agora Mingione, ou melhor, “Luiz Careca”, faz uma completa análise da nova Ducati DesertX, uma bigtrail que é pura aventura. A marca italiana criou algo especial, que foi nitidamente inspirado nas Cagivas campeãs do Rally Dakar no início dos Anos 1980, com as cores Lucky Strike. Nesta época, a Ducati fornecia os motores de 350 a 1000 cc para a também italiana Cagiva. Assim, o design da DesertX é uma releitura contemporânea das motocicletas de Rally e Enduro daquela época. Os termos “estilo Dakariano” e “linhas das motos de Enduro” deste período, independente de como foram interpretados pelos designers do Centro de Estilo da Ducati, foram suficientes para criar uma moto impressionante focada no “essencial e robustez”, um desenho que pode vir a ser uma tendência neste segmento e com um pacote eletrônico muito moderno.

Falando nisso, a bigtrail italiana conta com seis modos de pilotagem, além de quatro modos de entrega de potência. Pela primeira vez uma motocicleta Ducati tem um modo Rally, mais os modos, Enduro, Sport, Touring, Urbano e Wet. O modo Enduro se destina a ajudar os pilotos menos experientes no off-road, enquanto o modo Rally é para os pilotos mais agressivos na pilotagem na terra. O modo Enduro reduz a potência e aumenta a ajuda da eletrônica, enquanto o modo Rally libera potência total e minimiza a intrusão da ajuda eletrônica. Os quatro modos de potência, Full, High, Medium e Low ajustam a resposta do acelerador e a potência de saída e retomadas. Os modos de potência incluem também controle de tração, controle de wheelie, ajuste eletrônico de freio-motor e freios ABS, com três níveis de atuação e a função de antitravamento em curvas.

O motor é o tradicional dois cilindros em “L”, Testastretta, de 937cc de capacidade, que gera 110 cv de potência máxima (a 9250 rpm) e 9 quilos de torque máximo (a 6500 rpm). Já o câmbio da DesertX conta com o sistema DQS (Ducati Quick Shift) bidirecional, que auxilia a troca de marchas sem a necessidade do uso da embreagem). Todas as marchas até a quinta são mais curtas para trabalhar bem no fora de estrada e a sexta marcha é “adequadamente longa” para manter a utilidade e economia em rodovias. Os freios são “modulados” para funcionar no fora de estrada ou em condições de piso escorregadio, além de terem um sistema ABS inteligente que inclui antitravamento nas curvas. Toda a ciclística é ancorada pelo tradicional quadro em treliça.

O painel da DesertX é montado verticalmente para facilitar a leitura também na pilotagem em pé e é nitidamente inspirado nas motocicletas de rally. No display TFT, de cinco polegadas, existe dois modos de visualização: padrão e rally, este último projetado para facilitar a navegação, imitando a tela do tripmaster usada pelas motos de competição. Infelizmente, o GPS não faz parte do sistema, o opcional DMS (Ducati Multimedia System) emparelha com o smartphone, oferecendo navegação passo a passo. Se você gosta de ouvir música ou falar ao telefone enquanto pilota o DMS também está habilitado para estas funções. Acredito que a Ducati acertou em cheio com a DesertX, que tem tudo para ser um sucesso de vendas e criar tendência dentro do segmento que é bastante competitivo e que traz concorrentes de peso como, por exemplo, Triumph Tiger 900, linha GS da BMW e até a Honda Africa Twin.

Texto: Luiz Mingione – Campeão do Rali Dakar, em 2002, na categoria “Super Production”, com uma Honda 250 cc