Saiba como foi participar do GS Trophy, da BMW. A prova exige técnica, habilidade, preparo físico e raciocínio rápido

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Depois de três fases qualificatórias, o Brasil definiu a equipe que representará o País na 8ª edição do BMW Motorrad International GS Trophy, que será disputada este ano na Albânia, país do sudeste da Europa e que reunirá equipes de 22 países. Ao todo, 66 pilotos participantes que chegaram à final brasileira, mas apenas três integrantes da equipe masculina garantiram a vaga na final. As duas integrantes da equipe feminina aguardam o fechamento do ranking global para participar da etapa internacional. Os grandes vencedores – foto acima – são: Geovane Lorentino (Joinville – SC), Thiago da Cruz (São Paulo – SP) e Franco Bruzzone (São Roque – SP); Tais Gotardo (Lages – SC) e Daiane Gaia (Ribeirão Preto – SP).

Porém, todo mundo acha que a vida de um jornalista automotivo é só glamour, recheado de lançamentos, testes, viagens e salões nacionais e internacionais. Às vezes surgem convites que podem ser transformadores, em função do impacto positivo de uma nova experiência. Fui convidado pela BMW Motorrad Brasil para participar de uma espécie de simulação do que seria a etapa classificatória Sudeste do GS Trophy, que aconteceu no Circuito Panamericano – pista da Pirelli -, em Elias Fausto, no interior de São Paulo.

A equipe de Aloisio Frazão Jr., instrutor-chefe da BMW Motorrad, em parceria com a TSO, montou duas pistas para o “qualifier”: uma com muitos desafios – troncos, caixa de brita, areia e água; e uma outra mais travada, para exercícios que exigiam torque em baixas velocidade. Era preciso sempre muita suavidade e sutileza no giro do acelerador e delicadeza no uso da embreagem, além de uma boa estratégia, calma e preparo físico.

Como disse Gabriela Cicone, gerente de marketing e produto da BMW Motorrad Brasil, “o encontro de hoje é momento de pura diversão, com uma boa dose de adrenalina. Não é uma competição”. Ela tinha razão! Bom, então era a hora de colocar os equipamentos e enfrentar os circuitos e a moto, modelo que eu não pilotava desde seu lançamento, em agosto de 2019, pré-pandemia. A GS é um “tanque de guerra” com muitos recursos ciclísticos e eletrônicos. “Desde sua primeira geração, a R 80 GS, em 1980, ela foi projetada para enfrentar e transpor todo e qualquer tipo de desafio, principalmente na terra. 40 anos depois e com toda a evolução do modelo, a R 1250 GS vai surpreender pela sua versatilidade, força e capacidade de sair de condições adversas”, afirma Frazão, dizendo para os participantes do GS Trophy que “tudo deve ser feito de forma bastante progressiva”, explica o experiente instrutor.

Com sol à pino, uma parca pesada, bota cano alto e protetor de coluna, lá fui eu enfrentar os desafios. Ou seja, encarar o circuito 4×4 dentro do complexo da Pirelli, que foi adaptado para o GS Trophy. Depois da largada no pórtico era hora de passar por uma sequência de valetas – primeiro tombo – troncos paralelos, rolos de ferro, caixas de ovos, travessia de água– cerca de 50 cm – com pedras no fundo, subidas e descidas íngremes e esburacadas, além de um corredor de pedras médias compactadas, caixa de brita solta. Aqui a melhor opção era deixar a roda traseira empurrar a dianteira. Hora de dar mão e abusar do torque do motor Boxer, de cilindros opostos. E, na sequência, areia. Ali uma parada para descer da moto e levar um pneu de um lado para o outro, tudo dentro de trajeto formado por cones. Misto de técnica, habilidade e preparo físico, numa prova contra o relógio. Quanto menos derrubar cones, errar o percurso ou cair, melhor será a pontuação!

Como não tinha muita intimidade com a moto nestas condições mais severas de uso, além da falta de preparo físico “suei a tanga”, mas não desisti da brincadeira. Porém quanto mais cansado você fica, mais frágil psicologicamente o piloto estará. Você até quer ter um melhor desempenho, mas corpo e mente não conseguem acompanhar. Fiz duas passagens pela pista 4×4. Depois de alguns tombos e de abdicar de alguns exercícios– brita e areia – fui até o meu limite físico e psicológico, quase desidratado. Abdiquei do “segundo turno” na pista mais travada feita em baixa velocidade, que exigiria mais força, controle e equilíbrio. O cansaço e a falta de preparo físico deram o sinal de alerta que é preciso voltar aos exercícios físicos para encarar novos desafios em 2022.

Hora de parar e fazer uma profunda autocrítica em relação ao limite e a desempenho do piloto-jornalista. Voltar a praticar exercício físicos e pedalar. De qualquer forma, uma vitória pessoal em estar ali, nesta simulação como o pessoal da BMW, além de estar na pista da Pirelli e poder compartilhar, in loco, a experiência com outros colegas jornalistas que, em função da pandemia, víamos com pouca frequência. Estávamos ali fazendo o que mais gostamos: pilotar motos.

Fotos Mario Villaescusa / Divulgação

Exausto, vivo e feliz por participar de uma experiência tão incrível. Ganhei até medalha pela participação! Para mim ela não representa um prêmio de consolação, mas sim um incentivo para eu estar cada dia mais apto para pilotar uma motocicleta e compartilhar essas aventuras com os leitores do MinutoMotor. Agora é hora de torcer por nossos guerreiros sobre suas BMW GS que embarcarão para a Albânia.