Socorro (SP) ganha museu dedicado à história das motocicletas e bicicletas

O Centro Cultural Movimento (CCM) abriu suas portas ao público em Socorro (SP). A cidade acaba de dar mais um passo importante para se tornar um centro histórico, turístico e cultural voltado ao segmento de duas rodas. O município, que fica a cerca de 150 quilômetros da capital paulista, ganha um museu com acervo que resgata a história da motocicleta e da bicicleta no Brasil. Sediado na antiga Estação Ferroviária, os visitantes poderão conferir de perto – em exposições permanentes e temporárias – inúmeros modelos de motos e bikes lançadas no país ao longo dos últimos 120 anos. o ‘Centro Cultural Movimento’ é resultado de uma parceria público-privada (PPP) que integra o programa ‘Socorro Destino Duas Rodas’, projeto lançado ainda em 2019 com intuito de promover o mototurismo e o biketurismo na cidade. Conta com a curadoria do jornalista Carlãozinho Coachman, idealizador do projeto Motostory – portal eletrônico que resgata a história da moto no Brasil. Uma excelente opção para um passeio nestas férias.

A antiga Estação Ferroviária passou por uma profunda reforma para receber o CCM. Com estilo ferroviário inglês, o prédio histórico, que data de 1909, foi construído pela Companhia Mogiana de Estradas de Ferro e inaugurado pelo então presidente [governador nos tempos atuais] do Estado de São Paulo Manuel Joaquim de Albuquerque Lins. Na reforma, as estruturas originais do prédio foram mantidas, incluindo as grossas paredes de alvenaria e o antigo madeiramento do telhado. Na entrada do museu, após cruzar o pórtico principal, os visitantes têm acesso à recepção e ao guarda-volumes. Logo nos primeiros passos, já chama a atenção a deslumbrante ‘Sala de Troféus’, que abriga inúmeras conquistas dos principais nomes do motociclismo nacional. Alguns dos títulos mais notáveis que podem ser vistos são, o Trofeo Real Consul D’Itália, conquistado por Luiz Bezzi em 1937, o troféu do Recorde de Interlagos para Motonetas, conquistado por Gualtiero Tognocchi em 1960 e o troféu das ‘100 Milhas de Daytona’, de 1983, conquistado pelo piloto Antônio Jorge Neto, ou ‘Netinho’ como é conhecido no esporte a motor, no comando de uma Yamaha TZ 250.

Carlãozinho Coachman ao lado de Sequeira, campeão Brasileiro de Motovelocidade em 1980 / Foto Wel Calândria

Outro espaço que merece destaque é o ‘Hall da Fama’. O local faz homenagem aos personagens que ajudaram a construir a história da moto e da bicicleta no Brasil. Lá o visitante poderá ver uma série de murais com uma lista de nomes e retratos, e conhecer algumas das pessoas mais notáveis do setor de duas rodas, como pilotos, engenheiros, mecânicos, inventores e demais personalidades de diferentes segmentos, como esporte, indústria e comércio, imprensa, entre outros, que fomentaram o desenvolvimento do setor ao longo de mais de um século.

Porém, a cereja do bolo é o ‘Salão Nobre’. O local – um espaço multiuso – abriga as exposições permanentes e temporárias do museu com as motos e bicicletas que marcaram a história do setor no país. O centro do salão é dedicado às exposições transitórias. Já nas laterais, o visitante pode acompanhar o desenvolvimento cronológico da nossa história em uma linha do tempo formada por documentos que retratam estes 120 anos. São dezenas de motos e bikes expostas, de diversos tipos e marcas. Os amantes do motociclismo logo perceberão modelos clássicos, alguns fabricados no final século XIX e início do século XX, como o das marcas Zundapp, Matchless, Honda, Yamaha, BMW, Lambretta, Saçi, a réplica da Mobilette de Alex Barros em sua estreia na velocidade aos 7 anos, ou a PUCH campeã paulista de ciclomotores de 1978 com José Escalona. São exemplos de histórias que contribuíram para o desenvolvimento do setor no Brasil e no mundo.

Antonio Jorge Neto – o “Netinho” – Campeão Daytona em 1983 / Foto Wel Calândria

Outros dois modelos em especial, expostos no museu, tiveram papeis significativos e influenciaram a geopolítica mundial, cada um defendendo um lado. Os visitantes poderão conferir a Triumph Type H, de 1915, também conhecida por Trusty. A moto foi utilizada na Primeira Guerra (1914-1918) pelas tropas de comunicação britânicas para levar informações ao fronte. Já a BMW R35, de 1938 – duas décadas distante na linha do tempo – foi designada pelo Führer para os deslocamentos do Exército Alemão na Segunda Grande Guerra (1939-1945). Além destas, é possível conferir algumas raridades que fizeram história no país, incluindo modelos da Honda, Yamaha, Norton, Vespa, entre tantas outras.

Além dos veículos, a maioria cedida por colecionadores e apoiadores do projeto, o museu apresenta também uma infinidade de objetos, como fotografias antigas e documentos originais, entre eles pedidos de patentes, propagandas e anúncios em classificados. O acervo inclui ainda um espaço dedicado à história das competições motociclísticas e ciclísticas no país. Lá os visitantes podem acessar uma ala inteira com troféus, rever reportagens históricas, além de conhecer as roupas e os equipamentos de pilotagem utilizados ao longo de mais de um século. Aberto ao público de quarta a domingo, os ingressos custam R$ 20,00 (vinte reais) e podem ser adquiridos na bilheteria do museu ou antecipadamente através do site oficial.

Informações importantes: 

O QUE: Centro Cultural Movimento;

QUANDO: Abertura para o público geral, dia 12 de Novembro, às 10h;

ONDE: Antiga Estação Ferroviária;

ENDEREÇO: Praça Rachid José Maluf, 83, Socorro (SP);

INGRESSO: R$ 20,00 inteira |  MEIA ENTRADA:  Para os estudantes e 60+ 

SOCORRENSES:  Não pagam nos dias úteis, apresentando  o Cartão Cidadão e documento oficial com foto (RG, Passaporte ou CNH);

HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO: quartas e quintas-feiras, das 10h às 18h, sextas e sábados, das 10h às 20h e domingos, das 9h às 17h;

INFORMAÇÕES: (11) 9 1179 – 1469