Em quanto tempo as marcas indianas começarão a incomodar as tradicionais montadoras japonesas instaladas no Brasil?

As indianas Bajaj e Royal Enfield juntas e de olho em uma maior participação no mercado nacional

As marcas indianas “namoram” o Brasil há mais de uma década. Aos poucos foram colocando as ‘manguinhas de fora’ e, num futuro muito próximo, Royal Enfield e Bajaj irão começar a incomodar o reinado das marcas japonesas – lê-se Honda e Yamaha. Líder de mercado, a Honda fechou o ano com mais de um milhão de motos emplacadas, que corresponde a 75,79% da participação de mercado. Já a Yamaha licenciou exatas 222.463 unidades, 16,33% do share. Em termos de comparação, em 2012, a marca líder tinha 79,70% (o que correspondia a 1.304.148 motos vendidas), enquanto a Yamaha licenciava 171.924 unidades, que representava 10,51% do total de motos emplacadas. Ou seja, quem tem mais perde mais com a chegada de novos players e, consequentemente, aumento da concorrência. Dessa forma, com um disputas acirradas, mais leais, quem ganha é o consumidor, que terá produtos mais alinhados às suas necessidades.

Staff da Royal Enfield – Índia e Brasil – que inaugurou a linha de montagem na Dafra, em Manaus (AM)

Cinco anos depois, em 2017, a Royal Enfield chegou ao mercado nacional. Em seis anos, a marca anglo-indiana já vendeu 25 mil unidades no País. Ano passado, a Royal Brasil comercializou 10.126 unidades e contabiliza 0,74% do total de motos vendidas. O número geral coloca a marca em quinto lugar no ranking nacional entre as montadoras instaladas no País. A subsidiária brasileira da Royal segue sempre acelerando, a passos firmes, sem volta.

A capacidade da Royal Brasil, em Manaus (AM), é de 15 mil/unidades ano

Design inconfundível – Com uma assinatura visual própria, a Royal Enfield iniciou a montagem de suas motos em Manaus (AM). O primeiro modelo “made in Brazil” foi uma Interceptor 650. A linha de montagem – que opera pelo sistema CKD – fica dentro da Dafra. A Royal Brasil promete mais três modelos para 2023: Scram 411, Hunter 350 e Super Meteor 650, está última apresentada no Salão de Motos de Milão – EICMA 22 – e que foi lançada oficialmente na Índia esta semana. O MinutoMotor conferiu de perto todos os detalhes dessa caprichada ‘classic custom’ na Itália. Além do plano de ampliar a produção em Manaus (AM), a marca quer aumentar sua capilaridade. Até março serão 25 revendedores, hoje são 21, em 14 estados brasileiros.

Claudio Giusti, diretor geral da Royal Enfield do Brasil

A Royal Brasil também está em festa, só que por outro motivo: fechou o ano com mais de 10 mil motos emplacadas ano passado, um recorde histórico! Destaque para os modelos Meteor e Classic, da plataforma “J”, que compartilham o mesmo motor de 350cc. “Já somos o país que vende mais motos Royal Enfield fora da Índia”, comemorou Claudio Giusti, diretor geral da marca no Brasil, dizendo que a capacidade instalada em Manaus é de 15 mil motos/ano.

Scram 411 é um novo modelo derivado da trail Himalayan e que já está confirmado no Brasil

Com franca vocação para democratizar as médias cilindradas no Brasil, a Royal Enfield Brasil tem “uma tela em branco” para imprimir sua história, em ritmo bastante cadenciado – que pode ter o consórcio, como agente acelerador, e a garantia da revisão com preço fixo. Além disso, a Royal – marca do Grupo Eicher Motors – ‘saiu da caixa’ e hoje tem uma bela visão globalizada do negócio moto.

Line up inicial da indiana Bajaj – 3 motos – que é comercializado no País

Gigante indiana – Depois de um quase interminável período de pandemia, a gigante indiana Bajaj – terceira maior montadora de motocicletas do planeta, com capacidade produtiva em torno de 7 milhões de unidades por ano – desembarcou oficialmente no Brasil com três modelos da linha Dominar: 160, 200 e 400cc. Ou seja, motos do segmento de maior volume do mercado, a das “streets”, que correspondem no Brasil a 41% das vendas no acumulado de 2022. Além do design arrojado – que lembra modelos japoneses, chineses e taiwanesa –, as motos contam com três anos de garantia e plano de manutenção com preço fixo para toda a linha. Destaque para a Dominar 400 – preço sugerido de R$ 24.200 – que já tem fila de espera, tamanho o sucesso de vendas da marca.

Linha de montagem da Bajaj, que fica dentro das instalações da Dafra, em Manaus (AM)

Diferentemente da Royal, a Bajaj já começou sua operação no Brasil com seus modelos montados também na planta da Dafra, em Manaus (AM). Pelo ritmo, logo logo a marca deve ampliar sua produção e novos modelos devem chegar ao País como, por exemplo, a linha Pulsar 150/250, isso sem falar na pequena custom Avanger que, na Índia, conta com duas versões: 160/220cc.

Primeiras impressões com a Bajaj Dominar 400, que já é o carro-chefe em vendas no Brasil

A Bajaj do Brasil começou suas operações com cinco revendas – todas no Estado de São Paulo. A projeção é dobrar o número de concessionárias até meados de 2023. As novas praças serão: Belo Horizonte, Brasília, Florianópolis e Rio de Janeiro. A região Nordeste também faz parte dos planos de expansão.

Waldyr Ferreira (esq.), country manager da Bajaj Brasil, e parte de sua equipe

Para quem não sabe, a Bajaj exporta suas motocicletas para 79 países, em 17 mercados é líder de vendas como, por exemplo, Colômbia, Nigéria, Egito e Filipinas. A Bajaj tem parceria de cooperação (produção e transferência de tecnologia) com KTM, Husqvarna e Triumph. Em breve teremos novidades nas médias cilindradas entre as marcas anglo-indianas. “Aqui temos um dos maiores volumes de vendas do mundo e a Bajaj mostra, nos segmentos que está estreando, que essa chegada ao mercado brasileiro é só o botão de partida para um projeto de longo prazo. Nossa jornada apenas está começando”, conclui Waldyr Ferreira, country manager da subsidiária brasileira.

Marello Motos, no ABC Paulista, foi a primeira concessionária Bajaj no Brasil

Por trás do nome Bajaj – ligado ao líder Mahatma Gandhi – há uma gigante de 75 anos de história. Que tem bons projetos – próprios e em parceria com outras marcas de tradição no cenário de duas rodas – e muito dinheiro em caixa. Ou seja, não teme nada, nem ninguém globalmente. A partir de agora a ‘árvore’ só se desenvolve, cresce e finca suas raízes cada vez mais fundas, fortalecendo cada vez mais o alicerce e o negócio no Brasil.

A street Dominar 160 em primeiros testes realizados no Motor Park, em Tuiutí (SP)

Agora só o tempo definirá, efetivamente, quando as marcas indianas instaladas no Brasil começarão a incomodar as tradicionais montadoras japonesas – lê-se Honda e Yamaha. Cinco anos, uma década, duas. Mas uma coisa é certa, os indianos não têm pressa, não dão passos para traz, contam com uma boa visão global do negócio e dinheiro em caixa. Para crescer com responsabilidade, é só fazer a ‘lição de casa’ com produtos de qualidade, aumento gradativa de produção, pós-venda dinâmico e assistência técnica eficiente.

A Hunter 350 será a moto mais barata da linha Royal no Brasil – e no mundo