Obras-de-arte sobre duas rodas: conheça as motos e as customizadoras do projeto “Build. Train. Race.”

Reprodução: Canela Fina

Hoje, o Brasil tem quase oito milhões de mulheres motociclistas. E esse movimento de empoderamento vem ganhando muita força nos últimos anos. Elas querem pilotar e mostrar para o mundo que aquela história de ‘sexo frágil’ já era! Antenada na participação feminina no mundo das duas rodas, a Royal Enfield Brasil apresentou na noite de terça-feira (24/08), no Lucky Friends, em Sorocaba (SP), as motos que participarão das baterias femininas de Flat Track no Brasil, que acontecem em outubro, em pista oval de terra. A exibição das motos faz parte da primeira etapa do programa Build Train Race (BTR), que significa construir, treinar e correr. As motos foram customizadas por quatro pilotas selecionadas pelo projeto, que é uma ação global de uma das marcas de moto mais antigas do mundo.

Bruna Wladyka – Reprodução: Canela Fina

As eleitas para a primeira edição do BTR brasileiro foram Bruna Wladyka (Curitiba/PR), Edna Prado (São José dos Campos/SP), Geane Santana (Brasília/DF) e Gisele Favaro (Varginha/MG). Segundo Clevir Coleto, gerente de Marketing da Royal Enfield Brasil, todas foram muito ativas no processo de customização da Interceptor 650 Mark III Twin, que durou mais de 70 dias. “Elas colocaram suas assinaturas nas motos e quebraram os paradigmas machistas de que mulher não pode ou é boa de mecânica ou não faz parte do mundo duas rodas”, complementa. Já para Luana Michelucci, coordenadora de Marketing da Royal Brasil, “trazer o BTR nesse contexto é de elevadíssima relevância para nós, porque ratifica nosso compromisso dentro e fora do escritório com equidade, igualdade e diversidade”.

Rastro de Fogo – Foto MM

Conheça as customizadoras e suas obras-de-arte
Bruna Wladyka desenvolveu seu projeto em Curitiba (PR) com total alinhamento ao projeto “Elas Pilotam”, movimento incentivador da participação feminina no universo duas rodas. A ideia é promover a conexão entre as mulheres que pilotam e/ou são apaixonadas por esse estilo de vida. A motocicleta da Bruna – vestida de preto e branco – foi batizada de Rastro de Fogo, em função das labaredas pintadas no tanque.

Edna Prado – Foto: MM

Inspirada nas provas de velocross, Edna Prado traz um projeto o uso de adesivo no tanque de combustível, pintura cerâmica (dourada) em várias peças na dianteira da moto. A Interceptor ganhou pedaleiras e guidão que seguem uma ‘pegada’ mais off-road, além do acelerador de punho rápido. A família é muito ligada à cultura custom e ela pratica o motociclismo fora-de-estrada.

Geane SantanaFoto: MM

Na sua moto, Geane Santana trabalhou elementos clássicos da cultura custom, como ‘Engraving’, espécie de tatuagem feita no metal. Garras e correntes estão gravadas na Interceptor 650 da brasilense, que quis registrar na motocicleta a força e garra femininas, além da quebra de estereótipos e paradigmas que envolvem as mulheres no motociclismo e na sociedade. A construtora-motociclista usou outras técnicas de customização como pintura ‘Pinstriping’ e ‘Lettering’, com as folhas de ouro na logo da marca e arte na rabeta. Recheada de detalhes, a pintura verde, com flakes, chama muito a atenção.

Gisele Favaro – Foto: MM

“Bruta, rústica e sistemática”. Esse foi o conceito do projeto da Gisele Favaro com envelhecimento da pintura, peças de reaproveitamento, couro e madeira. Ao desenvolver a customização, a piloto percebeu que a Interceptor 650 poderia oferecer ainda mais possibilidades. Ela utilizou novos elementos de decoração como, por exemplo, acrílico e neon. Com boa bagagem na pilotagem off-road, Gisele contou com a ajuda do pai e da mãe que costurou e bordou o nome da moto no banco, batizada de Thundera. Irreverente, a “menina do café” – planta, colhe e vende o grão – até precisou fazer uma rifa para arrecadar dinheiro para consertar o VWGol 1.995 que trouxe a moto de Minas para São Paulo. Mais uma prova de superação!