Análise: scooter é sinônimo de mobilidade e crescimento sustentado

Last updated:

No final da década de 1980 e início dos Anos 90 eu já rodava pelas ruas e avenidas da zona Norte de São Paulo em duas rodas. E sempre tive uma predileção pelos scooters. Pilotei a icônica Vespa PX 200, o Brandy Jet 50cc, o Yamaha Jog 50cc e até o Honda Spacy 125cc, que até parecia uma “nave espacial”, em função de seu design futurista. Nesta época estes veículos não tiveram tanto sucesso, creio que pela falta de maturidade do motociclista brasileiro.

A futurista Honda Spacy 125 (Foto: Divulgação)

Mas esta situação começou a mudar com a chegada do Suzuki Burgman AN 125, isso em 2006. O modelo trouxe luz para esta categoria. Popular nas ruas de São Paulo era alimentado por carburador até 2012 quando chegou a versão equipada com injeção eletrônica de combustível. O “burgminha” como era chamado, saiu de linha em 2019, deixando um legado de confiança e versatilidade. Com certeza, o modelo comercializado pela J.Toledo preparou o mercado para a chegada de novas opções, como o Yamaha Neo e, principalmente, do Honda Lead 110, que em pouco tempo se tornou líder de mercado por sua versatilidade e excelente capacidade de carga sobre o assento. Em 2008, o scooter da Honda já era o quinto veículo de duas rodas mais vendido do Brasil.

Fruto da parceria entre a Dafra e a SYM, uma empresa taiwanesa, o Citycom 300i aportou no Brasil em 2010. Tinha como atributos a economia, robustez e a praticidade de rodar bem na cidade e na estrada. Tive o privilégio de pilotar este scooter pelas ruas de Paris, na apresentação para a imprensa.

A belissima Vespa PX 200 (Foto: Reprodução/thegarage.com.br)

Os mais populares

Porém a popularidade dos scooters só começou com o Honda PCX 150, lançado em 2013. O modelo foi ganhando a simpatia do público e assumiu a liderança nas vendas. Em 2023 foram comercializados 38.766 unidades do modelo. Em dez anos em linha, o PCX já havia superado a casa das 280 mil unidades vendidas.

Já equipado com o novo motor de 160cc, o modelo Honda fechou 2024 com mais de 55 mil unidades emplacadas, que representa crescimento de quase 30% em relação ao ano anterior. Neste pódio, a medalha de prata ficou com o Honda Elite 125 (27.697 unidades) e a de bronze foi para o Yamaha NMax 160 (17.538 unidades), conforme pesquisa da Fenabrave.

Citycom 300 é um dos modelos que ajudou a alavancar o segmento scooter no Brasil (Foto: Agência Infomoto)

Segundo a Abraciclo, ano passado foram produzidos 155.612 scooters, crescimento de 5,1% em relação a 2.023 (147.997 unidades). Ou seja, das 1.748.317 motocicletas fabricadas em 2024 pelas marcas associadas, 9% são scooters.

Aliás, no final de 2024 a Yamaha veio com várias novidades e uma delas eletrizante. Além das atualizações do NMax e do XMax a marca dos três diapasões apresentou o Neo’s, inédito modelo com propulsor 100% elétrico que, com certeza irá abrir caminho para os grandes players investirem na mobilidade urbana elétrica. Lê-se Honda, Suzuki, Bajaj, Kawasaki e, de reboque, a Watts, do Grupo Multi.

Neo’s é o primeiro scooter elétrico da Yamaha a ser ofertado no Brasil (Foto: Divulgação)

Por falar em novidade, 2025 já começou acelerado com a chegada da nova versão do scooter aventureiro da Honda, o ADV, que foi totalmente repaginado e até ganhou motor 160cc, novos chassi e design.

A Dafra já anunciou a chegada para o segundo semestre o também aventureiro ADX 150, novamente em parceria com a SYM. Não podemos esquecer de outras opões que já estão disponíveis no mercado como, por exemplo, Zontes (350E) e Kymco (Downtown 350i), ambas marcas representadas aqui no Brasil pela JTZ Motos. Teremos ainda para 2025 a atualização do BMW C 400 X, que já foi apresentado na última edição do Salão de Motos de Milão (EICMA). E torcer para a Honda trazer para o Brasil a nova versão do X-ADV 750, que roda com muita desenvoltura na terra e no asfalto.

Suzuki Burgman 125 é a grande responsável pelo boom dos scooters no Brasil (Foto: Divulgação)

A chave do sucesso do scooter está na facilidade de pilotar: é ligar, acelerar e frear. Não é preciso se preocupar em “passar marchas” ou acionar o manete de embreagem. O sistema de transmissão CVT se encarrega das trocas automáticas. Atrai homens de paletó, mulheres empreendedoras, universitários e até entregadores (delivery).

Minha percepção é que em breve – muito em breve mesmo – teremos novas marcas e modelos disponíveis no Brasil, trazendo ao consumidor mais opções para a mobilidade urbana, seja ela à combustão ou elétrica. Há um gigantesco potencial de crescimento, até porque o scooter pode atender ao público entrante, feminino ou servir como ferramenta de trabalho. Pode ser ainda uma segunda opção de veículo da família, substituindo o carro, que gera muito mais gastos, fora os impostos mais ‘salgados’, como o IPVA.

Honda ADV 160 aposta em pegada aventureira para o segmento (Foto: Arquivo)

E pensar que este simpático veículo foi criado em 1946 com praticamente sobras de aviões usados na Segunda Guerra Mundial. Simplesmente genial!

Em mais de 30 anos de carta tive vários outros modelos, de 110cc a 300cc, passando pelos 125cc e 150cc, que me ajudaram no trabalho e também no lazer. Sempre serei grato a esses simpáticos, econômicos veículos, que ainda são amigáveis com o meio ambiente. Tudo em um cenário de crescimento sustentado e democratizando ainda mais o uso de veículos de duas rodas!