Análise de mercado: motos usadas, um mar de possibilidades

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O mercado de duas rodas fechou 2024 com 1.875.903 unidades emplacadas. Mais de 18% de crescimento em relação ao ano anterior (1.581.521 motos foram licenciadas em 2023). Segundo dados da Fenabrave – entidade que reúne as associações de marcas das montadoras – o mercado de duas rodas deve crescer 10% em 2025. Neste ritmo acelerado de recuperação, o segmento deve passar da casa dos dois milhões de unidades vendidas este ano. Encerraremos o ano com uma frota circulante 35 milhões de motocicletas.

Pensando neste número macro, temos um mercado de usados bastante aquecido e recheado de oportunidades. Ano passado exatas 3.489.625 motos trocaram de mãos, conta 3.172.309 em 2023. Crescimento de 10%. Ou seja, para cada moto zero vendida, quase duas usadas foram negociadas.
Só em dezembro passado, 305.718 seminovas trocaram de donos, enquanto 151.925 novas motos encontraram seus parceiros motociclistas. O mercado de moto usadas movimentou o dobro de unidades, se comparado às “0KM”! No ano de 2020, a proporção era bem melhor: 3 seminovas para um “zerinho”! 2.776.166, contra 915.473.

Para cada moto 0km vendida são negociadas três seminovas (Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

A reboque, nós temos um grande mercado consumidor de acessórios (motos e motociclistas), peças para reposição, além, é claro, de um efervescente mercado de seminovas e usadas. Só para se ter noção deste “exército sobre duas rodas”, em São Paulo há meio milhões de motoboys (motofretistas), número que foi catapultado pelos serviços de delivery pós pandemia. Em 2013 eram 200 mil motofretistas, segundo o Sindimoto-SP. São Paulo e o Brasil se movimentam em duas rodas.
Ou seja, o País é o sétimo maior produtor mundial, segundo dados da Abraciclo – associação que reúne os fabricantes de motos. Então há um ‘mar de oportunidades’ nas vendas de novas, usadas e serviços.

Salão das Motopeças traz tendências para o mercado de acessórios e peças de reposição (Foto: Divulgação)

Neste universo, o Salão das Motopeças, que acontece agora entre os dias 11 e 14 de março, em São Paulo, teve um belo volume de negócios ano passado. Segundo dados da Anfamoto, organizadora do evento, foram gerados em 2024 cerca de R$ 300 milhões em novos negócios realizados entre empresários e distribuidores de motopeças. Este grande “balcão de negócios” – fechado ao consumidor final – é apenas uma amostra da magnitude do segmento de duas rodas. Resumindo: ainda há espaço para todo mundo crescer. Basta focar e seguir as regras de boas práticas, ser criativo e, se possível, sobreviver a volatilidade das taxas cambiais e dos impostos.