Roteiro de filme de ação: conheça a história da piloto Bárbara Neves

A piloto Bárbara Neves, da equipe Honda Racing – Foto Divulgação

Alegria, disciplina e alto astral. Não há uma receita pronta para uma grande campeã, mas Bárbara Neves, de 20 anos, integrante da equipe Honda Racing, deixa claro que o sucesso foi uma consequência de um arrebatador amor pelo motociclismo. Assim, trabalhando duro desde cedo, ela começou ainda muito jovem, com apenas quatro anos. A atleta cresceu em uma família que sempre a apoiou e esse fator foi fundamental para que Bárbara conseguisse transformar um hobby em profissão. “Acredito que sou privilegiada por ter nascido numa família que acredita nos estudos e nos esportes como agente de formação e transformação social na vida de uma pessoa. Por isso, meu pai sempre me incentivava à pilotar moto e logo comecei a me interessar, cada vez mais, por este esporte”, explicou.

Seu primeiro título, aos 16 anos, está marcado na memória até hoje junto com seu primeiro título internacional conquistado em 2018. Atualmente, com sua Honda CRF 250F, Bárbara vem destruindo nas pistas e já arrebatou o lugar mais alto do pódio na primeira e segunda etapa do Brasileiro de Enduro. A jovem goiana também é bicampeã latino-americana e tricampeã brasileira de Enduro. Ela tem também no currículo o título Brasileiro de Cross Country e quatro taças do Enduro da Independência. Nesta entrevista exclusiva, Bárbara contou como foi o longo caminho até ser patrocinada pela equipe Honda Racing, qual a receita para ser uma campeã e também matou uma curiosidade: qual moto pilota nas horas de lazer.

Do preconceito ao sonho – Mesmo seu currículo vitorioso e histórico de atleta impecável, até lá, Bárbara precisou enfrentar, ainda criança, uma série de julgamentos feitos por pessoas que não entendiam a essência do esporte. “Para mim, naquela época, era muito confuso o julgamento que as pessoas faziam: ‘é perigoso uma criança andar de moto’ ou ‘isso não é esporte para uma menina’. Me afastei das motos e busquei por outros esportes e atividades como, por exemplo, como ballet, judô, natação etc. “Depois de seis anos longe das motos e sentindo muita falta de pilotar, eu entendi que o julgamento alheio não poderia definir o que eu gosto ou o que eu posso fazer. Então, voltei para as trilhas. As competições entraram na minha vida de forma natural”, conta a piloto.

Até parece história de filme, mas a atleta realizou um sonho de criança e tira seu sustento, hoje, por intermédio das competições em duas rodas. E tem mais, Bárbara é a primeira atleta com patrocínio oficial de uma equipe de fábrica no Brasil (lê-se Honda Racing). “Poder fazer o que eu amo, num ambiente de respeito e acolhimento, faz toda diferença. Viver isso tudo assim é muito estranho. Quando paro para pensar que já imaginei isso num sonho de criança e que parecia ser algo muito distante. Hoje o sonho é real: pilotar é a minha profissão.”

Receita de campeã – Movida por desafios, a atleta deixa claro que a receita para estar onde chegou é a dedicação, muito esforço e paixão pelo que faz. Hoje, sem dar importância para julgamentos alheios, Bárbara é um grande exemplo de que sonhos são possíveis e que é preciso acreditar em si e enfrentar as adversidades. “Andar de moto é a minha verdadeira paixão. Em um esporte tão dominado por homens, enfrentei e ainda enfrento desafios. Mas, hoje, os desafios são diferentes. Felizmente, hoje tenho uma equipe que me apoia, uma recepção incrível de pessoas de todo gênero e idade”, contou.

Fotos Divulgação Ney Evangelista / Mundo Press

Nos momentos livres e que não tem treino, como uma boa apaixonada por motos, a atleta curte pilotar! Sem motos de passeio, Bárbara explica que seu relacionamento com as concessionárias da Honda é ótimo e que, sempre que precisa, pega uma moto em uma das lojas parceiras e vai passear. Nada de modelo específico ou moto de passeio na garagem de casa. Como enjoar de moto não existe no vocabulário da campeã, um dos seus programas favoritos é fazer trilha de moto. A primeira vista, pode até parecer semelhante com seu trabalho, afinal, são em trilhas que Bárbara se prepara para as provas de Enduro. No entanto, ela falou como o hobby é diferente do momento de treino. “Eu gosto de aproveitar o meu tempo livre fazendo trilha de moto. A trilha fora do dia de treino é diferente: é o momento que tenho para acelerar, mas no meu ritmo e com objetivo de me divertir. A melhor parte disso tudo é poder aproveitar lugares, com vistas incríveis e me conectar com a natureza”, concluí a piloto Honda.

Thays Martins, 25 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pilota motos há 7 anos. Ama o universo das duas rodas e viajar de moto é o seu principal hobby.