Qual a relação entre seca na região Norte e a distribuição de motos? Praticamente toda a produção do Polo Industrial de Manaus (PIM) é escoada pela água, na ligação entre a capital manauara com Belém, no Pará, num total de 1,3 milhão de quilômetros pelo rio Amazonas.

(Nota da Redação: editor do MinutoMotor, o jornalista Aldo Tizzani, fez esta rota há sete anos, na expedição “Honda CG 40 anos – Quilômetros de Histórias). Confira no vídeo a seguir.
A falta de chuva fez com que os três rios da Bacia Amazônica – Madeira, Amazonas e Solimões – tivessem queda drástica em seus níveis, inviabilizando a navegação, principalmente de grandes embarcações, que são responsáveis pela logística das marcas de motos, para a distribuição de seus produtos para as outras regiões do País. Com a “avenida aquática” seca, as montadoras já se preocupam com as vendas de final de ano. Então o que dizem as marcas?
“Até o momento, não há nenhuma interrupção programada e a empresa monitora a situação constantemente. Dessa forma, a Honda Motos tem adotado alternativas logísticas junto aos seus fornecedores e parceiros de negócio, como por exemplo a utilização de transporte aéreo e rodoviário, para minimizar impactos em sua operação”.

Segundo a Bajaj, o mercado todo está correndo o risco de ser impactado pela seca. “Por isso um possível atraso por conta do menor volume que trafega no rio pelas embarcações que devem circular com menos peso. E se a situação continuar piorando, o risco aumenta”, explica Jaqueline Deneka, gerente de marketing da Bajaj do Brasil.
“Não podemos negar que os impactos ambientais possuem ação direta na cadeia de suprimentos em todo o país. No entanto, a Triumph, que recentemente em Manaus alcançou o volume de 50 mil motos produzidas e nos últimos meses, lançou a nova Street Triple 765 e Tiger 900 Aragón, está empenhando todos os esforços para minimizar os impactos desta seca, que é a pior dos últimos 120 anos”, afirma Maiquel Monteiro, gerente de marketing da Triumph Brasil.

Em comunicado, a BMW Motorrad Brasil afirma que “a fábrica do BMW Group, em Manaus, mantém a produção conforme planejado, mesmo com a seca que atinge o Amazonas”. Porém, infelizmente, a marca alemã não fez nenhum tipo de comentário sobre possíveis problemas na distribuição de suas motocicletas.
Já a Yamaha está “adequando a produção ao fluxo de chegada de insumos, reduzindo a produção e escolhendo os produtos que tem condições de fabricar”.

Segundo a Royal Enfield, a situação da seca no Norte do Brasil pode causar impactos no setor de motocicletas. “O recebimento de kits ou de peças importadas chegam nos navios. Nós temos planejamento para esse tipo de contingência porque a seca não é algo novo, embora nunca tenhamos visto algo tão grave como neste ano. Não acredito em retração devido à seca apenas e diretamente. Seguimos com nosso ritmo de vendas e ampliando a presença dos nossos modelos pelas ruas e estradas do país”, declarou o diretor geral da Royal Enfield Brasil, Claudio Giusti.
Por fim a Kawasaki, que por meio de sua assessoria de comunicação emitiu uma nota reconhecendo a gravidade da situação, com queimadas e o baixo nível dos rios na região Amazônica. Diante deste cenário, a fabricante anunciou que entrará em férias coletivas de 6 a 27 de novembro.
Em seu último levantamento, a Fenabrave – entidade responsável pela distribuição de veículos por meio de seus associados – projeta 1,63 milhão de motos emplacadas até o fim de 2023. Mas, pelo tudo indica, a seca na região Norte terá sim impacto nas vendas. Claro que há outras opções de logística como, por exemplo, transporte aéreo e terrestre, mais caros, claro, e que, com certeza, impactarão nos valores dos insumos e no preço final das motos. Sinal de alerta ligado!!!

