Bajaj: a gigante indiana chega oficialmente ao Brasil com modelos street e naked de até 400cc

Um resumo, em vídeo, da visita da comitiva brasileira à Bajaj Auto e a Índia. Experiência inesquecível!!!

“Entender para crescer”! Com esta frase curta e, de certa forma ‘enigmática’, Rakesh Sharma, diretor da Bajaj Auto, deixou claro que os passos da marca indiana – terceira maior montadora de motocicletas do mundo – serão estratégicos no Brasil. Ou seja, cadenciados, firmes e certeiros para conhecer o perfil do consumidor. “Esta é uma grande oportunidade de apresentarmos nossos produtos aos brasileiros. O crescimento na produção e nas vendas será gradativo, como aconteceu em outras partes do mundo”, explicou o executivo indiano. Na primeira coletiva oficial realizada em 17 de junho na sede da empresa em Akurdi, Pune, estado de Maharashtra, Sharma informou que os kits das motos Bajaj já estão em alto mar e serão montadas em Manaus (AM) na Dafra, no sistema CKD (Complete Knock Down). Para quem não sabe, a Bajaj é líder em vendas de motos na América Latina, segundo seus executivos. É ‘número um’ também na Colômbia, deixando para trás tradicionais marcas como Honda e Yamaha – campeãs de vendas aqui em nosso mercado nacional.

Aldo Tizzani, editor do MinutoMotor, e Rakesh Sharma, diretor da Bajaj Auto

Para comandar a operação no Brasil, a Bajaj Auto contratou Waldyr Ferreira (ex-Triumph e Harley-Davidson). A missão do experiente e competente executivo é fazer a marca conhecida e, é claro, montar toda a estrutura para o desembarque da gigante indiana no Brasil. Suas atribuições estão ligadas a nomeação de concessionários, pós-vendas e estoque de peças de reposição no País. E aproveitando esta aproximação e anos de convívio, os jornalistas também tiveram a oportunidade de pilotar alguns possíveis produtos das linhas Pulsar (160, 200 e 250cc) e Dominar (400cc), além do recém-lançado Chetak, scooters elétrico e tecnológico que ganhou uma nova linha de montagem em Akurdi, que terá capacidade produtiva de 500 mil unidades/anos.

Bajaj Dominar 400

“Por motivos estratégicos, ainda não divulgaremos quais motos Bajaj serão montadas no Brasil. O que posso afirmar é que teremos bons produtos e preços competitivos. Depois da nomeação dos primeiros concessionários, as vendas devem começar em setembro, com destaque para as linhas Pulsar e Dominar. Mas vocês (jornalistas) puderam ter uma ideia dos modelos e do como eles serão capazes de impactar o mercado positivamente”. (N.R.: Pela minha experiência de mais de 20 anos de mercado de duas rodas, a Bajaj poderá trazer de cara, cinco modelos: Pulsar 160, 200, 250 (semi-carenada (F) e naked (N), além da Dominar 400. As motos indianas passarão por ajustes no sistema de injeção de combustível, em função do nosso combustível, alto nível de etanol misturado com a gasolina.

Waldyr Ferreira, Sudhir Kamath e Fabio Lima, do time da Bajaj Brasil

As motos deverão perder alguns itens indianos como, por exemplo, suporte de placa dianteiro e protetores laterais de motores e da roda traseira. Curiosidades sobre o trânsito na Índia e as primeiras impressões ficarão para os próximos posts! Dependendo da aceitação das motos Bajaj por aqui, a marca indiana promete até produtos mais alinhados com o perfil de uso do motociclista brasileiro, como a criação de uma trail. Bem que a base poderia ser a KTM 390 Adventure…

Bajaj Pulsar 160 e 200

Quem é a Bajaj? Com 75 anos de história e atuando de forma oficial em 79 países, a Bajaj Auto é considerada a terceira maior fabricante de motos do mundo, com projeção de volume na casa de mais de 6,3 milhões de unidades. De cada três motos que deixam a Índia, duas são Bajaj. Esta proporção também confere a marca o título de ser a maior exportadora do país asiático. A montadora conta com quatro fábricas: Waluj, Chakan e Pantnagar e Akurdi (exclusiva para o scooters elétrico Chetak). Hoje, a empresa monta quatro linhas de produtos: motos, scooters, utilitários de três rodas e o Qute, subcompacto de quatro lugares. Em duas rodas, a marca tem modelos equipados com motores de 100cc (street Platina 100) até 400cc (naked Dominar 400), passando pelos modelos utilitários Boxer e CT 110 e Avenger 160/220 (custom). Destaque fica por conta da linha Pulsar, que pode oferecer versões de 125, 150,160, 200 e 250cc. Detalhe: só na Índia são quase 1.500 pontos de venda Bajaj. No mundo, mais de 6 mil revendas.

Scooter elétrico Chetak

Este mês a Bajaj colocou em operação uma linha de produção exclusiva para o scooters elétrico Chetak, cuja produção estava represada em função da pandemia de Covid-19 e, consequentemente, falta de componentes. De 180 unidades/dia, a montadora quer ampliar a produção para 40 mil scooters/mês. A meta é montar 500 mil unidades/ano, com foco, primeiramente, nos mercados asiático e africano. Pela apresentação feita pela equipe de marketing da Bajaj Auto, o tecnológico scooters 100% elétrico terá condições de entrar em mercados mais exigentes, como o europeu e norte-americano. Só por curiosidade, a indiana Bajaj tem participação acionária em outras marcas de moto como, por exemplo, KTM, Husqvarna e Triumph. Falando na marca inglesa, a Bajaj será responsável por produzir as motos de baixa e média cilindradas da Triumph. Segundo Rakesh Sharma, diretor executivo da Bajaj Auto, “tudo está dentro do programado. Mas sobre este assunto é a própria Triumph quem irá se pronunciar sobre produtos e cronograma de lançamento”. Pelo que está sendo ventilado na imprensa internacional, as pequenas “Bonnes” devem aparecer só no ano que vem.

O jornalista Aldo Tizzani, editor do MinutoMotor, viajou para a Índia à convite da Bajaj Auto / Bajaj Brasil