Hoje foi dia de revisitar alguns arquivos. Entrei em um túnel do tempo e fui parar em 31 de dezembro em 2004. Encerramos aquele ano com “apenas” 896.138 unidades emplacadas, segundo dados da Fenabrave. Não foram os números de licenciamentos que me chamaram a atenção, mas sim as “estrelas” daquele ranking. Na ponta da tabela estavam as tradicionais Honda, Yamaha e Suzuki, seguidas de Kasinski, Traxx, MVK, Daelim, Tianjing, Kymco e Mottus.
Uma década depois, já em 2014, encerramos o ano com 1.429.908 emplacamentos, número que representa resultado de 5,66% menos que o de 2013 (1.515.687 licenciamentos). Porém o que muda são as marcas que estavam no holofote algumas sumiram e surgiram tantas outras como, por exemplo: Shineray, Dajiang, Flash, Sundown, Wuyang, Iros, Bashan e Bravax.

Saltando de um trem para outro chegamos a dezembro de 2024, ano que tivemos uma bela recuperação. Atingimos 1.875.903 unidades emplacas, que corresponde a 18,61% de crescimento frente ao ano anterior (1.581.521 motos “0Km” que ganharam as ruas). Nesta nova fase ganhamos entre as principais estrelas do mercado de duas rodas HaoJue e Zontes (Grupo JTZ, que há mais de 30 anos representa a Suzuki no Brasil). Não podemos deixar de citar Avelloz, Bull, Vmoto, GCX, Rotom e Watts.
A rotatividade ou o simples abandono de seu posto é inerente aos chineses. Um dia as cidades – principalmente do interior – estão recheadas de pontos de vendas. E de repente, elas simplesmente somem… E o que fica é um cliente insatisfeito e uma grande placa de PASSA-SE O PONTO!
Aliás, o potencial de nosso mercado foi identificado, analisado e fortalecido pelos japoneses desde a década de 1970. Juntas, Honda e Yamaha detêm hoje 86,38% do market share. Os indianos quando fincam pé em um país raramente dão ré. Podem até demorar para engrenar, mas buscam crescimento sustentado, passo a passo, com resiliência e paciência. Já os chineses são como onda, vem e vão. Sempre dependendo da força da maré ou das necessidades eminentes do mercado. Mas sempre há exceções. Sempre!

Como consumidor, o mínimo que o brasileiro quer é respeito, qualidade, acompanhado de preço justo. Não abra não dá garantia, pontos autorizados para assistência e revisão, peças genuínas e mão de obra treinada pela fábrica. Para bom entendedor o barato pode sair caro.
Então, você ouviu falar de novo da Kasinski, Traxx, MVK, Daelim, Tianjing, Dajiang, Flash, Sundown, Wuyang e Iros? Abre o teu olho, até porque ninguém gosta de “mico” ou de “sucata” na garagem. Para nós, brasileiros, a moto precisa durar! E algumas dessas chinesas, literalmente, derretiam ao sol!
Só para deixar claro: não sou contra os chineses e seus produtos. Sou contra a ingerência e a falta de qualidade. E torço para a chegada de novos players asiáticos ao mercado de duas rodas. Mas agora é hora de um momento de reflexão: as motos de procedência duvidosa são oportunidades na compra ou oportunismo na venda?
