Como o consumidor deve se proteger do golpe do carro clonado

Os veículos dublês – ou clonados –, segundo o Detran-SP, apresentam as mesmas características do veículo original, como a marca, o modelo e a espécie. É utilizado também em alguns casos o cadastro do veículo original para que sejam copiados os mesmos caracteres da placa e adulterados os caracteres de identificação do chassi e/ou os caracteres de identificação do motor. Geralmente, o veículo dublê é oriundo de roubo ou furto, e é utilizado o artifício citado de cópia para “tentar manter o veículo com características de legalizado”, e não simplesmente para transferir as multas para outro veículo. A documentação do veículo também é copiada (falsificada) do original, e a cédula utilizada do Certificado de Registro de Veículo (CRV) e do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) é fruto de roubo ou furto.

A Placa Mercosul deve mudar ainda este ano em função do alto índice de clonagem

Para o departamento de trânsito de São Paulo, os veículos com placas adulteradas, em tese, têm como intuito burlar a fiscalização de trânsito (por exemplo, os radares fotográficos). Podem apresentar também as mesmas características do veículo original, como a marca, o modelo e a espécie. Nesse caso, ocorre a adulteração somente da placa, mantendo-se os caracteres do chassi e do motor sem adulteração. Quem faz adulteração está sujeito a responder por crime indicado pelo Art. 311 do Código Penal Brasileiro.

O advogado Fábio Tizzani é especialista em recuperação e restituição de veículos

Para o advogado Fábio Tizzani, especialista em recuperação e restituição de veículos muitas vezes a clonagem de um veículo por adulterações na numeração do chassi, por exemplo, são tão perfeitas que é preciso levar o veículo até uma empresa especializada em vistoria para averiguar a autenticidade da sequência de números e letras. “Ao adquirir este bem, com a numeração adulterada, o consumidor pode ser acusado de receptação, crime previsto no artigo 180 do Código Penal. Ou seja, uma simples negociação envolvendo um carro ou uma moto pode virar um caso de polícia”, adverte Tizzani. Conheça aqui os tipos de adulterações feitas na numeração do chassi de veículos.

Para sanar mais dívidas sobre carros clonados, o MinutoMotor entrevistou Beto Reis (foto abaixo), sócio-diretor da Super Visão, uma das maiores redes de franquias de vistorias automotivas do Brasil. Confira!

Beto Reis, sócio-diretor da Super Visão

MinutoMotor – O que é clonagem veicular?
Beto Reis – Clonagem veicular é o ato de adulterar um veículo, geralmente produto de furto, com as informações e dados de outro veículo em circulação.

MM – Quais os principais tipo de clonagem?
Beto Reis – As clonagens mais comuns são a clonagem da placa, onde uma placa sem restrição é produzida e inserida em um veículo roubado. Ao consultar a placa, retornam-se as informações positivas, porém ao vistoriar o veículo, nota-se que seus itens identificadores pertencem ao carro roubado. Outro tipo de clonagem comum, é a adulteração dos itens de identificação como: numeração de chassi, numeração de motor, etiquetas de identificação e gravação dos vidros. Neste caso, o carro se passa por um original, mas com estes itens adulterados simulando ser o carro original, que geralmente está em circulação.

MM – A placa Mercosul dificultou a apreensão de veículos clonados? Por quê?
Beto Reis – As placas Mercosul foram desenvolvidas para minimizar a fraude, contando com Marca D´água, QR Code e outros itens que auxiliam na rastreabilidade. Embora não possuam mais o lacre na placa traseira como nas antigas placas, lacre este que era alvo de avaliação e registrado, a placa Mercosul tem a tendência de dificultar a adulteração, desde que seja realizada uma vistoria adequada nos atos necessários. Mesmo assim, não está isenta de clonagens e adulterações.

Inspeção veicular / Fotos Divulgação

MM – Quais as maiores dores de cabeça ao cair no golpe?
Beto Reis – Além do prejuízo financeiro, a adulteração veicular é crime e as partes, tanto vendedor como o comprador poderão estar envolvidos na investigação.

MM – Se o consumidor cair no golpe, ele perde o valor investimento?
Beto Reis – Sim, perde todo o investimento, pois um veículo adulterado não pode ser comercializado. Caso a Perícia Oficial venha a descobrir qual é o veículo original, o mesmo passa por um processo e pode ser devolvido ao dono que teve o carro furtado. Mas essa situação não muda o cenário de quem investiu no carro, que fica com todo o prejuízo.

MM – Como evitar comprar um carro clonado?
Beto Reis – Para evitar a compra de um carro clonado, deve-se fazer uma vistoria veicular em uma Super Visão. Cautelar ou Certicar! A vistoria veicular analisa os itens identificadores, estrutura da carroceria e histórico veicular. Lembrando que esta vistoria deve ser feita ANTES da compra e do pagamento do veículo!

MM – Se houver certeza da clonagem, como proceder?
Beto Reis – Ao perceber que o veículo possui suspeita de adulteração, o cidadão deve procurar uma Delegacia de Polícia e fazer o Boletim de Ocorrência. A autoridade policial se encarregará de dar sequência aos demais procedimentos e, quando confirmada a clonagem, o veículo fica geralmente apreendido sob custódia policial.