EXCLUSIVO: O Salão de Motos de Milão marcou a retomada do crescimento do setor de duas rodas

O EICMA 2021 – a maior feira de motos do mundo – aconteceu em Milão (ITA) entre 25 e 28 de novembro. Atendendo a um convite da ITA – Italian Trade Agency (www.ice-sanpaolo.com.br), órgão do Governo italiano com a missão de promover o intercâmbio comercial e tecnológico entre a Itália e os demais países, nós, do MinutoMotor, participamos, mais uma vez do Salão de Motos de Milão, que marca a retomada do setor de duas rodas em âmbito mundial. A Itália não poupou esforços para realizar o EICMA. Isso em função de sua capacidade de atrair marcas, apresentar novas possibilidades em termos de uso, tecnologia e design. Além disso, o evento também é um grande balcão de negócios, concretizados através de encontros bilaterais (b2b), das empresas italianas com empresários de várias partes do mundo, inclusive do Brasil. O governo, por meio da ITA- Agency e a indústria, capitaneada pela Cofindustria e Ancma, além da própria organização do EICMA, ofereceram as melhores oportunidades para expositores e para os visitantes. Dessa forma, a Itália e o Salão de Motos de Milão reabrem o futuro para novos produtos, suas tendências e oportunidades de negócios. Confira abaixo os principais lançamentos das marcas italianas.

Bimota KB4

BIMOTA – Depois da euforia durante a última edição do evento, em 2019, a KB4 está em produção e chegou ao EICMA 2021 acompanhada pela KB4 RC, com uma profunda inspiração nas motos estilo Cafe Racer. Agora, ambas integram o line-up da marca de Rimini. Com características mais que esportivas, a KB4 – que usa espécie de asas nas laterais da carenagem frontal – e KB4 RC contam com mecânica é baseada no quatro cilindros de 1.043cc e 142 cavalos de potência, propulsor em uso pela Kawasaki Ninja 1000SX. O motor está encaixado em um quadro com arquitetura em treliça e o braço oscilante é fabricado em alumínio. Um resultado exótico entre Itália e Japão, já que a Kawa detém hoje 49,9% da marca do Bimota.

Benelli TRK 800

BENELLI – A marca que nasceu em Pesaro apresentou belas novidades durante o Salão de Motos de Milão. Destaque para as duas versões da Leoncino 800 e TRK 800, nitidamente inspirada na 502, hoje uma das motos mais vendidas na Itália. A base do motor da trail é um dois cilindros, quatro tempos com refrigeração líquida e quatro válvulas por cilindro. São 754cc, 76 cv de potência e mais de 6 kgf.m de torque. A transmissão traz caixa de câmbio de seis marchas. O chassi conta com estrutura de treliça tubular com uma placa de aço de alta resistência e braço oscilante de alumínio. A TRK 800 tem suspensões de longo curso e com múltiplos ajuste (garfo Marzocchi). Na dianteira disco duplo semiflutuante de 320 mm com pinças radiais de quatro pistão; na parte traseira há um único disco com diâmetro de 260mm. A roda é aro 19 polegadas na frente e 17 polegadas atrás. Em relação a proteção aerodinâmica, a moto conta com para-brisa ajustável, proteções de mão e defletores. O tanque tem capacidade para 21 litros e o painel é em TFT colorida, de 7 polegadas.

Benelli Leoncino 800

Adotando o mesmo motor da aventureira, a Benelli apresentou a Leoncino 800 em duas versões: uma para uso urbano, com roda de 17 polegadas, e uma versão com uma pegada mais on/off-road, com aro frontal de 19 polegadas. Pensado também no público entrante, a família Leoncino ganhou uma pequena naked de 125cc, com design radical e inédito motor monocilíndrico de quatro tempos, que oferece 12,5 cv de potência e câmbio de seis velocidades. Segundo a Benelli, o modelo faz mais de 45 Km/l. Destaque para o quadro em treliça e rodas de alumínio aro 17.

Lucky Explorer Project 9.5 e 5.5

CAGIVA – O Lucky Explorer Project foi apresentado ao lado do estande da MV Agusta, que já foi dona da marca Cagiva, hoje extinta. O projeto começa com duas novidades (protótipos de bigtrails – 5.5 e 9.5) no segmento de aventura e com uma estética e cores que lembram o Cagiva Elefant que correu e venceu o Paris-Dakar com o patrocinador Lucky Strike (marca de cigarros) nos anos 1990. Segundo os executivos da MV Agusta, o Lucky Explorer Project não é apenas uma motocicleta, mas também um estilo de vida, um recomeço e um salto para o futuro. O modelo de maior capacidade, a Lucky Explorer 9.5, já nasceu como uma verdadeira maxi enduro, com aro de 21 polegadas na dianteira e, na traseira, roda de 18 polegadas. Usa motor de três cilindros de 930cc, derivado do MV de 800cc, que equipa a linha Brutale e F3. A potência é de 123 cv e o torque de 10 Kgf.m. O câmbio é de seis marchas e duas opções de embreagem. Em termos estruturais, a moto conta com chassi em berço duplo em aço. Já o braço oscilante é feito de liga de alumínio.

Fantic 450 Rally

FANTIC – A Fantic Motor também marcou presença no Salão de Motos de Milão. A marca, que nasceu na região da Lombardia, apresentou sua gama de produtos: motos, Ebike e E-Mobility. Aproveitou o evento para comemorar a aquisição da Motori Minarelli, empresa do setor automobilístico e com seus 70 anos de tradição. No EICMA, a Fantic é a representação das empresas no “Made in Italy”. Além de sua bela linha Caballero 500 – que está equipada com motor de 449cc, que gera 40 cv de potência e 4 quilos de torque –, a marca confirmou sua participação na próxima edição do Rally Dakar, com um novo modelo que estreará um motor monocilíndrico de 450cc, quatro tempos, especialmente desenhado pelo departamento de competições da Fantic Racing. Quem sabe, em breve, não teremos no Brasil motos da italiana Fantic participando de provas off-road.

MV Agusta Superveloce AGO

MV AGUSTA – A marca de Varese trouxe várias novidades para o Salão de Motos de Milão. Entre elas, a naked Brutale 800 RR, as renovadas esportiva F3, além das sport-touring Turismo Veloce. Destaque para a Superveloce AGO feita em homenagem ao piloto Giacomo Agostini, 15 vezes campeão mundial de motovelocidade. O modelo, que terá apenas 311 unidades fabricadas, recebeu o título de moto mais bonita desta edição do EICMA, com 47,2% dos votos computados. A segunda moto mais votada foi a Aprilia Tuareg 660 que recebeu 19%, já a trail X-Cape, Moto Morini, ficou na terceira posição, 7,9% do total. Foram registrados 12.567 votos. A esportiva AGO usa motor da F3, ou seja, são cerca de 150 cavalos de potência máxima. A moto ganhou ainda pintura especial e carenagem confeccionada em fibra de carbono. Isso sem falar nas suspensões reguláveis e freios de última geração, da grife Brembo. Tudo aliado com o melhor do design italiano e linhas retrô.

Moto Morini X-Cape

MOTO MORINI – A Moto Morini também apresentou boas e belas novidades como, por exemplo, a trail X-Cape. Com um desenho marcante, a aventureira de média capacidade cúbica foi pensada do zero e deve dar origem a outras versões, como uma naked. Conta suspensão reforçada, freios a disco duplo na dianteira e boa dose de eletrônica. A instrumentação adotou tela TFT, colorida, de 7 polegadas, e conectividade Bluetooth. A proteção aerodinâmica inclui um para-brisa ajustável, proteções de mão e defletores. O tanque tem capacidade para 21 litros e a roda dianteira tem 19 polegadas. O motor de dois cilindros em linha de 649cc – e 48 cv, não oficiais – atinge uma velocidade de cerca de 170 km / h – é a mesma base utilizada na recém-lançada naked 6 e ½ (Seiemmezzo, em italiano). Clássica no estilo e tecnologia moderna, a naked da Moto Morini deverá fazer muito sucesso entre os motociclistas que não abrem mão de estilo e versatilidade, com bom desempenho.

Moto Guzzi V100 Mandello

MOTO GUZZI – O grande destaque da marca de Mandello del Lario foi a nova Moto Guzzi V100 Mandello. De estilo clássico e carenagem moderna, o moto parece uma releitura dos modelos Le Mans 750, de 1976; e 850 de 1981). Outra grande novidade em termos tecnológicos está ligada a aerodinâmica adaptativa, que ajusta automaticamente a posição dos defletores nas laterais do tanque (17,5 litros) de acordo com a velocidade e o modo de pilotagem. Marca registrada da montadora, o novo motor tem arquitetura “V”, a 90°, sempre transversal, conta com 1.042cc de capacidade, distribuição de eixo duplo e quatro válvulas (com balancins) por cilindro. Agora com refrigeração líquida. A potência é declarada em 115 cavalos e o torque máximo de 10 Kgf.m. Conta ainda com medição inercial de seis eixos, ABS em curva, suspensões eletrônicas semiativas e quickshift, sistema que não é preciso acionar a embreagem para as trocas de marchas.

Aprilia Tuareg 660

GRUPO PIAGGIO – A principal atração do Grupo Piaggio, principalmente para os amantes de motos trail, é a Tuareg 660, a moto que chamou bastante a atenção de quem visitou o estande da marca. Com estilo agressivo, conta com motor bicilíndrico de 80 cv de potência, que oferece uma autonomia de 450 quilômetros, segundo a montadora. Pesa, em ordem de marcha, 204 quilos, já contabilizando os 18 litros do tanque de combustível. Está equipada com suspensões de longo curso para encarar qualquer desafio. Na parte eletrônica quatro modos de pilotagem (dois totalmente personalizáveis), controle de tração, ABS e piloto automático. Os ajustes podem ser feitos por meio do painel TFT, de 5”, com alta visibilidade. A iluminação é full Led. Falando em Aprilia, a marca também apresentou scooters com um estilo mais aventureiro – SR GT 125 e SR GT 200 – equipados com motores de 125cc e 174cc, respectivamente, com sistema Start&Stop, roda dianteira de 14 polegadas e pneus para encarar todo terreno. A montadora informa que o SR GT 125 faz cerca de 40 Km/l.

O jornalista Aldo Tizzani, editor do MinutoMotor, viajou para Itália à convite do ITA – Agência para a Internacionalização das Empresas Italianas, com sede em São Paulo (SP)(www.ice-sanpaolo.com.br)